As demandas emergentes de prevenção nas escolas, famílias e comunidades
20 set 2009 Deixe um comentário
em educação, Uncategorized Tags:drogas, educação, escola, família, prevenção, projeto de vida
É de suma importância e de colaboração imprescindível na prevenção as ações esclarecedoras e de acesso a informações nas suas diversas formas de expressão. Seja através da abertura que a Equipe Diretiva oportuniza a grupos externos e palestrantes que abordam este tema e tantos outros que venham de encontro com a necessidade e o interesse dos alunos, seja no cumprimento do currículo emergente, na participação daqueles que assistem as apresentações do grupo de teatro da escola, ou daqueles que atuam no próprio grupo. Desde que a análise e a aprovação da Equipe Pedagógica junto com a Equipe Diretiva estejam de acordo no sentido de que estas ações educativas sejam proveitosas e significativas, com planejamento prévio e organização para o momento propício de ser executado na escola.
Portanto, a prevenção envolve vários setores de nossa sociedade, incluindo nossas escolas, a família, as comunidades composto em um ambiente de reflexão e de formação de consciência, porque não é uma e, nem pode ser considerada uma atribuição de um único setor, é sim uma promoção e mobilização de redes sociais, onde todos alimentam uma postura de prevenção que atendam as reais necessidades e não tão somente um jogo de interesses.
Deve também ser dentro de uma perspectiva fundamentada por uma abordagem comunitária com enfoque construtivista de educação para a saúde que visualiza o indivíduo integralmente, e, fazendo o enfrentamento da prevenção reconhecendo as várias dimensões existententes.
As demandas emergentes podem envolver como primeira etapa, ou seja, em curto prazo, o atendimento o acolhimento em todos os sentidos por todos os setores que irão compor a rede de relações. Na seqüência, mobilizar a Rede de Proteção e resgatar a competência das Famílias com reuniões multifamiliares, coordenadas por vários profissionais envolvidos no trabalho. Depois consultas familiares, avaliação psicopedagógica. O registro de relatórios individuais sobre as Situações de Risco e de Proteção. Com todo este embasamento, em médio prazo poderá ser trabalhado com a construção de um Projeto de Vida onde todos exercerão a autoridade sem violência.
Na continuidade, levando em conta o que foi produzido até aqui, tanto dos adolescentes como das famílias, e aos poucos, dar continuidade de expressarem suas demandas, compartilhando seus sentimentos e construírem juntos soluções cabíveis. Isto poderá ocorrer através de oficinas temáticas para adolescentes promovendo informações e reflexões sobre o Projeto de Vida. Então, em longo prazo, poderão já ser oportunizados os grupos de pais, que irão trabalhar com informações e reflexões sobre o Projeto de Vida dos seus filhos e também dos pais e da família como um todo.
Isto tudo, com o apoio desta rede de relações criada a partir do perfil da escola e sua respectiva comunidade e atendendo a cultura local e regional, e com o envolvimento dos respectivos órgãos e setores que forem elencados para a concretização desta demanda.
Referências:
Curso de prevenção do uso de drogas para educadores de escolas públicas. Secretaria Nacional Antidrogas, Ministério da Educação; Brasília, 2008.
* Sanches, L. R. Professora/Pedagoga – setembro/2009.
Que imagem você tem do adolescente? Drogas, família, escola e sociedade.*
25 ago 2009 1 Comentário
em Uncategorized Tags:adolescente, drogas, educação, família, imagem
Pensando na imagem que temos ou fazemos do adolescente e, que principalmente, muitas vezes não corresponde à realidade, percebemos que pouco ainda sabemos. Apesar de estarmos bem próximos deles todos os dias, sem casa, por serem filhos, sobrinhos, seja no ambiente de trabalho, como alunos, sejam em grupos de lazer; olhamos a nossa volta e vemos adolescentes por toda a parte.
Talvez, em um primeiro olhar, já vai julgando-os pela forma como conversam, com gírias, as roupas que vestem, como se comportam, etc. E, esquecemos de nos permitir conhecê-los na sua plenitude da adolescência. Afinal, enquanto adolescentes, jovens, neles tudo estão fervilhando, cores, formas, sejam pelos hormônios, seja pela diversidade que vêem o mundo a sua volta em meio a tantas mudanças e tecnologias; ou seja, pura e simplesmente pela vontade enorme e profunda de mudar, inovar, chocar, experimentar, tocar e sentir tudo que o rodeia! Já fomos assim! Uns menos, outros mais!
Porém, todos passam pela fase que separa a criança dependente afetiva da família que só se relaciona com pares da escola escolhida pelos pais do adolescente, em questão, que tem mais mobilidade no espaço social, compartilha seu tempo maior parte com outros adolescentes do que com a família, faz escolhas e identificações sociais sem interferência direta da família. Esquecemos que são indivíduos em formando, se construindo a cada instante e que precisa da nossa confiança para mostrar seu potencial, sua criatividade.
Depois fiquei pensando se: “É possível uma sociedade sem drogas? E uma escola sem drogas?”
Já que precisamos conhecer mais profundamente o objeto de trabalho enquanto educadores em uma sociedade tão inundada pela cultura do comodismo, do imediatismo e do consumismo. Que nos faz tão egoístas, tão “cegos” de nossas reais funções na educação!
Em nossa língua, o termo adolescência possui duas características distintas: amadurecer (crescer, desabrochar) e adoecer. É preciso refletir se nossas ações na escola e na vida que irão ter ecos na sociedade que vivemos, estão colaborando para fazer este adolescente crescer e desabrochar para a vida ou para adoecer em meio à crise psicossocial atravessada neste período. A puberdade, característica do amadurecimento do adolescente, pode ser compreendida como um fato natural que, ao longo da história da humanidade, se apresenta como um processo proveniente de transformações culturais.
A adolescência, além de fazer parte de uma construção histórica e de uma produção cultural, também expressa às formas singulares com que cada pessoa é, vive e sente a transição da infância para a vida adulta.
O adolescente neste processo natural passa pela reconstrução da auto-imagem e senso de identidades, através das transformações fisiológicas, que compõem o evento do desenvolvimento biológico para reprodução sexual. O primeiro evento da puberdade é o sinal químico emitido pela hipófise para ativar a produção de hormônios de crescimento e hormônios gonadotróficos, responsáveis pelo desenvolvimento sexual primário.
Portanto, em um determinado dia, o adolescente irá se olhar no espelho e não se reconhecerá na imagem refletida. E, psicologicamente, se explica porque a imagem construída ao longo da infância entra em choque como o novo corpo, causando uma sensação de estranheza, como também, muitas vezes de desconforto.
Na maioria das vezes, não só esquisitice, mal-estar, por causa da inadequação entre as características físicas assumidas pelo corpo e os padrões estéticos reconhecidos na cultura ou impostos pela mídia e pela sociedade em geral. Isto interfere na sua auto-imagem e na sua auto-estima. É parte deste processo a aceitação do novo corpo e sua incorporação à auto-imagem, de forma integrada e sistêmica.
A droga é retrógrada. Quem a usa sente um prazer momentâneo. Por isto, quem usa diz que é bom. Mas no geral, vai perceber que é prejudicial à vida, que não é bom e muito, mesmo sendo prazeroso. Um prazer que é muito pouco pelo que ocasiona. E quando o jovem começa a se interessar pelo assunto só vê as notícias favoráveis, como por exemplo: Holanda libera venda de maconha nas farmácias.
Se você conversar com os adolescentes eles irão lhe dizer: “Viu só a Holanda liberou, então não é tão ruim assim. Até nas farmácias estão vendendo!”
Quantos comerciais de bebidas alcoólicas fazem marketing em cima do produto como se fossem refrigerantes. E não conseguem pensar, refletir sobre esta criação exacerbada de conceitos. Se em cada notícia ou comercial se exigisse, através de uma lei, que em seguida se mostrassem seus efeitos, como acidentes, vítimas, não estaríamos fazendo um tipo de prevenção.
O ser humano associa muito do que aprende através da imagem, o adolescente mais ainda. No momento em que vivemos tudo é imagem! Seria uma forma de ao lembrar de tal notícia ou anúncio, lembrasse também das consequências.
Então, penso que pais, educadores, escola e sociedade precisam ser quem realmente ajuda o adolescente, principalmente quando se trata das drogas. É uma combinação de atitudes, de exemplos dos pais, dos professores baseados em princípios de educação, moral e ética, com coerência e constância que podem fortalecer. E, lembrando Tiba (2005), através do costume na prevenção sem sermos chatos, de termos coragem sem ser temerários, de sermos mais resistentes às frustrações, de sermos mais progressivos do que retrógrados, de resguardar o que é bom sem ser tediante, de ter mais que tudo a natural alegria de viver…
Pois os jovens querem sentir o prazer, não o vício, só que acabam por ficarem viciados em sentir prazer! E isto vai gerar sempre a repetição de se querer mais e mais, sempre mais.
Separar-se dos pais, é uma separação simbólica e não física. Na ansiedade pela independência o adolescente precisa compreender e internalizar que pode pensar diferente de sua família, rever suas visões de mundo, considerar outras opções de futuro desde que seja tudo com responsabilidade, clareza de que seus atos terão consequências que ele precisará administrar. E que para tudo isto precisará se autoconhecer, percebendo seus limites e suas potencialidades para fazer, aprender, conviver e ser na vida. Assumir seus posicionamentos, seus desejos, seus projetos, ainda que estejam além do que os pais originalmente projetaram para ele um dia, mas para que ao longo da construção de sua vida se torne concreto e digno fortalecendo sua personalidade.
Caso contrário, tudo isto fica só no imaginário, no faz-de-conta, o que acaba por trazer um prazer que é efêmero e líquido, provisório, não registra sentimentos, convivências, não faz aprendizado nas relações com as pessoas, o mundo e as coisas, não faz superação de desafios vividos, não faz a reconstrução da imagem e da identidade, não faz consciência cidadã planetária!
E difícil? Muito! Mas de grão em grão podemos fazer uma “praia” juntos podemos!






