DINÂMICA – CONSTRUINDO VALORES


Por Leila Regina Sanches¹

 

Esta dinâmica além de construir os valores, também funciona como um “quebra-gelo” e integração, então, tanto pode ser aplicada com grupo de conhecidos, desconhecidos, de pouca ou frequente convivência. A quantidade de participantes é ilimitada, pode ser realizada em grandes ou pequenos grupos.

 

Material:

- papel sulfite tamanho A-4, cortado em quatro, que será usado como um crachá, de acordo com a quantidade de participantes.

- lápis de cor, ou giz de cera, ou canetas hidro cor.

- fita crepe.

- cola branca.

- papel kraft, ou para embrulho, o suficiente para colar todos os crachás dos participantes.

- aparelho de som e cd com música escolhida de acordo com o perfil do grupo.

 

Desenvolvimento:

Aproveite para fazer a integração, entregando uma folha de sulfite e pedindo que dobre ao meio e depois novamente, depois rasgando na dobra e dividindo para mais três colegas. Ou dependendo do tempo que tenha disponível, pode levar a folha já cortada e distribuir.

Peça que cada um escolha um lápis, ou giz, ou caneta para escrever na parte de cima da folha cortada, seu NOME em caixa alta, de maneira que possa ser visualizado, depois logo abaixo, peça que os participantes escrevam uma QUALIDADE que queira destacar, e na sequência, logo abaixo a sua FUNÇÃO.

Passe um pedaço de fita crepe, que seja suficiente para segurar o crachá, para cada participante e peça que eles coloquem para que seja visualizado.

Coloque a música para tocar e peça que cada um com o seu crachá circule pela sala, procurando visualizar o NOME, a QUALIDADE e FUNÇÃO.

Quando você perceber que a maioria já se conheceu melhor, através dos crachás, peça que retornem para seus lugares e escrevam no crachá a seguinte frase: EU VALORIZO… e complete esta frase.

Depois estique a folha de papel kraft ou de embrulho, ou no chão ou sobre uma mesa de acordo com o tamanho desta folha que será feito de mural. Este mural pode ter o seguinte título: CONSTRUÍNDO… (o nome do local, da empresa, da escola). Peça que cada participante retire a fita crepe do seu crachá e coloque disposto no mural, se houver necessidade coloque cola branca.

É importante que todos possam visualizar a construção no mural.

 

Feedback

Destacar a importância das qualidades de cada um, que é desta qualidade que cada um pode desenvolver melhor sua função. E o que cada um valoriza tudo isto faz a construção dos valores onde se atua para fortalecer a disciplina, a harmonia e o cumprimento das normas.

De acordo com os resultados, você poderá destacar o que for mais importante dentro do que está sendo trabalhado com o grupo.

É importante ter um espaço para ouvir os participantes que quiserem se expressar.

Se houver possibilidade, seria interessante deixar o mural em um lugar visível por alguns dias, o recoloca-lo em um outro momento propício.

 

1 SANCHES, L.R. , graduada em pedagogia Licenciatura plena, especialista em Docência Superior, professora universitária no curso de Pedagogia da Faculdade Dr. Leocádio  José Correia. Professora/Pedagoga QPM Secretaria do Estado da Educação do Paraná. Professora em cursos de Extensão EaD da UNINTER.

Refletindo sobre a educação…

“(…) o crescimento pessoal é o processo pelo qual o ser humano torna sua a cultura do grupo social ao qual pertence [processo de apropriação cultural], de tal forma que, neste processo, o desenvolvimento da competência cognitiva está fortemente vinculado ao tipo de aprendizagem específicas e, em geral, ao tipo de prática dominante”.

Cesar Coll

 

Qual o conceito de droga?

Droga, segundo a definição da Organização Mundial da Saúde, é qualquer substância não produzida pelo organismo que tem a propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas, produzindo alterações em seu funcionamento.

Uma droga não é por si só boa ou má. Existem substâncias que são usadas com a finalidade de produzir efeitos benéficos, como o tratamento de doenças, e são consideradas medicamentos. Mas também existem substâncias que provocam malefícios à saúde, os venenos ou tóxicos. É interessante que a mesma substância pode funcionar como medicamento em algumas situações e como tóxico em outras.

Essas drogas alteram o funcionamento cerebral e causam modificações no estado mental e no psiquismo do indivíduo que faz uso. Por esta razão,  são chamadas de drogas psicotrópicas, e conhecidas também como substâncias psicoativas. Substâncias estas que têm a capacidade de provocar dependência. E ainda, existem substâncias aparentemente inofensivas que fzem parte de muitos produtos de uso doméstico que têm este poder.

Os efeitos das diversas drogas sobre o organismo podem ser agrupados, para fins práticos, em efeitos agudos (que ocorrem durante o uso da substância) ou crônicos (que ocorrem mesmo algum tempo depois do uso da substância, geralmente após uso prolongado). Os efeitos das drogas também podem ser separados em efeitos somáticos (efeitos sobre o organismo) e efeitos psíquicos (modificações do estado da mente do usuário, provocadas pela droga). Os usuários procuram geralmente os efeitos psíquicos agudos das drogas, muitas vezes prazerosos.

Esses efeitos freqüentemente não dependem só da substância consumida, mas do contexto em que a substância é usada e das expectativas que o usuário tem com relação à substância.

A questão do envolvimento de pessoas com álcool e outras drogas, segundo  a lista de substâncias na Classificação Internacional de Doenças, 10.ª Revisão (CID -10), como opióides (morfina, heroína, codeína, diversas substâncias sintéticas), canabinóides (maconha), sedativos ou hipnóticos (barbitúricos, bensodiazepínicos), cocaína, outros estimulantes (anfetaminas e substâncias relacionadas à cafeína), alucinógenos, tabaco e solventes voláteis; vai além da simples busca dos efeitos dessas substâncias.

Diversas causas para o uso de drogas podem ser consideradas: a disponibilidade dessas substâncias, a imagem ou as idéias que as pessoas fazem a respeito das drogas, as características de personalidade, o uso de substâncias por familiares ou amigos e assim por diante.

Muito além de um problema “médico” ou “um caso de polícia”, os problemas relacionados ao consumo excessivo de álcool e ao uso de tabaco e outras drogas são questões que abrangem toda a sociedade.

Referências:

Curso de prevenção do uso de drogas para educadores de escolas  públicas. Secretaria Nacional Antidrogas, Ministério da Educação; Brasília, 2008.

Organização Mundial de Saúde. Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID-10. Porto Alegre: Editora Artes Medicas Sul, 1993.


* Sanches, L. R. Professora/Pedagoga – setembro/2009.

As demandas emergentes de prevenção nas escolas, famílias e comunidades

É de suma importância e de colaboração imprescindível na prevenção as ações esclarecedoras e de acesso a informações nas suas diversas formas de expressão. Seja através da abertura que a Equipe Diretiva oportuniza a grupos externos e palestrantes que abordam este tema e tantos outros que venham de encontro com a necessidade e o interesse dos alunos, seja no cumprimento do currículo emergente, na participação daqueles que assistem as apresentações do grupo de teatro da escola, ou daqueles que atuam no próprio grupo. Desde que a análise e a aprovação da Equipe Pedagógica junto com a Equipe Diretiva estejam de acordo no sentido de que estas ações educativas sejam proveitosas e significativas, com planejamento prévio e organização para o momento propício de ser executado na escola.

Portanto, a prevenção envolve vários setores de nossa sociedade, incluindo nossas escolas, a família, as comunidades composto em um ambiente de reflexão e de formação de consciência, porque não é uma e, nem pode ser considerada uma atribuição de um único setor, é sim uma promoção e mobilização de redes sociais, onde todos alimentam uma postura de prevenção que atendam as reais necessidades e não tão somente um jogo de interesses.

Deve também ser dentro de uma perspectiva fundamentada por uma abordagem comunitária com enfoque construtivista de educação para a saúde que visualiza o indivíduo integralmente, e, fazendo o enfrentamento da prevenção reconhecendo as várias dimensões existententes.

As demandas emergentes podem envolver como primeira etapa, ou seja, em curto prazo, o atendimento o acolhimento em todos os sentidos por todos os setores que irão compor a rede de relações. Na seqüência, mobilizar a Rede de Proteção e resgatar a competência das Famílias com reuniões multifamiliares, coordenadas por vários profissionais envolvidos no trabalho. Depois consultas familiares, avaliação psicopedagógica. O registro de relatórios individuais sobre as Situações de Risco e de Proteção. Com todo este embasamento, em médio prazo poderá ser trabalhado com a construção de um Projeto de Vida onde todos exercerão a autoridade sem violência.

Na continuidade, levando em conta o que foi produzido até aqui, tanto dos adolescentes como das famílias, e aos poucos, dar continuidade de expressarem suas demandas, compartilhando seus sentimentos e construírem juntos soluções cabíveis. Isto poderá ocorrer através de oficinas temáticas para adolescentes promovendo informações e reflexões sobre o Projeto de Vida. Então, em longo prazo, poderão já ser oportunizados os grupos de pais, que irão trabalhar com informações e reflexões sobre o Projeto de Vida dos seus filhos e também dos pais e da família como um todo.

Isto tudo, com o apoio desta rede de relações criada a partir do perfil da escola e sua respectiva comunidade e atendendo a cultura local e regional, e com o envolvimento dos respectivos órgãos e setores que forem elencados para a concretização desta demanda.

Referências:

Curso de prevenção do uso de drogas para educadores de escolas  públicas. Secretaria Nacional Antidrogas, Ministério da Educação; Brasília, 2008.


* Sanches, L. R. Professora/Pedagoga – setembro/2009.

A escola como espaço de transformações individuais e sociais

Vivendo na Era do Conhecimento, que é informação em ação, em uso. É preciso lembrar que o cérebro memoriza informações que têm utilidade, forte carga emocional ou por repetições quando planejar e organizamos os trabalhos com os alunos (Tiba, 2005).

Diante da pós-modernidade seria impossível processar todas as informações que apreendemos, tanto nós educadores, quanto mais nossos alunos. Mas num “piscar de olhos” percebe-se o mundo ao nosso redor, como número de informações apreendidas infinitas.

O apreender é um processo natural. Estudar é organizar esse aprendizado, focando em conteúdos que se associam captando as informações que podem estar descritas em um livro ou numa explanação do professor ou mesmo em atividades diversificadas em outros espaços ricos em incentivar o desenvolvimento das competências do indivíduo. E, desta forma, poderá ampliar conhecimentos e leitura de mundo, das pessoas e das coisas.

A escola tem, dentro da sua autonomia possível, como criar ambientes favoráveis a promoção da saúde de todos, a partir do momento que propicia a transformação individual e social, ampliando sua função de ensinar, adquirindo uma função social. Mostrando através de suas ações socioeducativas a qualidade de vida que cada um pode ter e de poder construir, como também de se garanti-la a todos.

O educador em sua função de mediador e em suas reflexões precisa utilizar os conhecimentos adquiridos para a elaboração de estratégias da promoção da saúde e do bem-estar de toda a comunidade interna e, conseqüentemente, externa. As buscas do bem-estar ocasionaram processos de produção e criação de conhecimentos que alimenta a cultura de uma escola, como a da região onde se situa esta escola e, projeta-se na sociedade que se vive.

O processo educacional tanto se desdobra em dimensões de transmissão da cultura e o conhecimento quanto de despertar as potencialidades, reflexões e críticas acerca da realidade e das possibilidades de alteração, que acabam por modificar, mobilizar, sensibilizar os usos, mores e costumes de um povo, bem como a sua cultura.

Dentro das características de uma escola além de distinções previstas na lei, desde o quadro de giz até o torno e o em torno existente na comunidade podem ser recursos importantes, significantes como opções didáticas para o fazer pedagógico.

O educador deve saber que pelo levantamento do perfil da turma, em um primeiro plano, em curto prazo atinge seu objetivo com a turma, na seqüência, levanta o perfil da escola, num segundo plano, em médio prazo, articula a continuidade do trabalho que já vem realizando com a turma e agora com a escola. Depois, em um levantamento do perfil da comunidade, em longo prazo, cumpre um trajeto, no processo de construção do conhecimento quem vem das partes para o todo.

Assim, enriquece ainda mais seu trabalho, enquanto educador, sendo capaz de reconhecer, procurar e receber a colaboração de todos os envolvidos no processo de educação.

A escola na visão de alguns estudos pode ser um mecanismo de controle social, estabilidade do sistema capitalista, que precisa pensar e repensar o pensado, no que se refere a que indivíduo se pretender formar, críticos, ativos, cidadãos planetários na sua forma de organizar para disciplinar e fazê-los pensar ou se tornarem alienados? Que têm consciência de seus direitos, porém refletidos seriamente em seus deveres, responsabilidades e compromissos individuais e coletivos. Isto depende do que norteia o “barco que navega” e se os envolvidos levam o “leme” com firmeza, conhecimento e afeto.

Com a visão de conjunto que educadores têm sobre o que se transmite aos alunos, sustentando o fazer pedagógico em alternativas de ensino e aprendizagem inovadoras e criativas se amplia os entendimentos e as possibilidades de realizações.

Por isto, é importante que o educador no viver e convier com os desafios precisa administrar com criatividade e prontidão as incertezas do cotidiano. Pois como se lida com pessoas, coma vida, tudo ao mesmo tempo, é dinâmico e complexo, porém sempre novo, a cada dia. Assim, como a oportunidade que o Creador nos dá a cada dia quando amanhece junto com um novo dia a oportunidade justa de fazermos algo diferente, de continuarmos na construção da educação.

O professor como mediador na escola é peça imprescindível da teia de relações que é tecida a cada instante do cotidiano no processo de comunicação potencializando e desenvolvendo pessoas. Comunicar é expressar desde o jeito que o educador se encaminha para a escola, para a sala de aula que irá atuar, de como entra, como olha para os alunos, até como irá trabalhar determinado conteúdo e como irá administrar o emergente e o predisponente a cada turma, e toda a complexidade de relações que se dá no ambiente educativo.

As relações sociais no contexto escolar precisam se pensadas e refletidas na forma que ocorrem, dando origem a vários tipos de relações, se são amistosas, íntimas, de dominação de conflito, e tantas outras que o espaço educacional proporciona, como também se as ações são de paz ou de violência, de saúde ou de doenças, de poder ou de autonomia. E, os educadores, se são e estão capazes de estimular novas condições de aprendizagem, é um repensar do pensado, que deveria estar presente em nossas reflexões.

O educador, ao desempenhar seu compromisso com a educação precisa perceber seu papel na qualidade e na promoção do sucesso e da felicidade, primeiramente sua e conseqüentemente de toda a escola. Buscando a transformação das informações em reais conhecimentos e tornando-os úteis, com uso e função efetivos na resolução dos desafios do cotidiano, para desencadeie processos cognitivos e afetivos no desenvolvimento do ser humano, seja ele educando ou educador.

É assim que acontece! O processo de educação é intenso e dinâmico! Por isto, é preciso estar preparado. E estar preparado é estar em prontidão, com amor, muito amor, respeito, tolerância, ética, esperança e determinação. Não nascemos pronto! Nascemos para nos construirmos a cada instante de nossas vidas!

Referências:

Curso de prevenção do uso de drogas para educadores de escolas  públicas. Secretaria Nacional Antidrogas, Ministério da Educação; Brasília, 2008.

TIBA, I. Adolescentes: quem ama, educa! – São Paulo: Integrare Editora, 2005.

* Sanches, L. R. Professora/Pedagoga – setembro/2009.

Que imagem você tem do adolescente? Drogas, família, escola e sociedade.*

Pensando na imagem que temos ou fazemos do adolescente e, que principalmente, muitas vezes não corresponde à realidade, percebemos que pouco ainda sabemos. Apesar de estarmos bem próximos deles todos os dias, sem casa, por serem filhos, sobrinhos, seja no ambiente de trabalho, como alunos, sejam em grupos de lazer; olhamos a nossa volta e vemos adolescentes por toda  a parte.

Talvez, em um primeiro olhar, já vai julgando-os pela forma como conversam, com gírias, as roupas que vestem, como se comportam, etc. E, esquecemos de nos permitir conhecê-los na sua plenitude da adolescência. Afinal, enquanto adolescentes, jovens, neles tudo estão fervilhando, cores, formas, sejam pelos hormônios, seja pela diversidade que vêem o mundo a sua volta em meio a tantas mudanças e tecnologias; ou seja, pura e simplesmente pela vontade enorme e profunda de mudar, inovar, chocar, experimentar, tocar e sentir tudo que o rodeia! Já fomos assim! Uns menos, outros mais!

Porém, todos passam pela fase que separa a criança dependente afetiva da família que só se relaciona com pares da escola escolhida pelos pais do adolescente, em questão, que tem mais mobilidade no espaço social, compartilha seu tempo maior parte com outros adolescentes do que com a família, faz escolhas e identificações sociais sem interferência direta da família. Esquecemos que são indivíduos em formando, se construindo a cada instante e que precisa da nossa confiança para mostrar seu potencial, sua criatividade.

Depois fiquei pensando se: “É possível uma sociedade sem drogas? E uma escola sem drogas?”

Já que precisamos conhecer mais profundamente o objeto de trabalho enquanto educadores em uma sociedade tão inundada pela cultura do comodismo, do imediatismo e do consumismo. Que nos faz tão egoístas, tão “cegos” de nossas reais funções na educação!

Em nossa língua, o termo adolescência possui duas características distintas: amadurecer (crescer, desabrochar) e adoecer. É preciso refletir se nossas ações na escola e na vida que irão ter ecos na sociedade que vivemos, estão colaborando para fazer este adolescente crescer e desabrochar para a vida ou para adoecer em meio à crise psicossocial atravessada neste período. A puberdade, característica do amadurecimento do adolescente, pode ser compreendida como um fato natural que, ao longo da história da humanidade, se apresenta como um processo proveniente de transformações culturais.

A adolescência, além de fazer parte de uma construção histórica e de uma produção cultural, também expressa às formas singulares com que cada pessoa é, vive e sente a transição da infância para a vida adulta.

O adolescente neste processo natural passa pela reconstrução da auto-imagem e senso de identidades, através das transformações fisiológicas, que compõem o evento do desenvolvimento biológico para reprodução sexual. O primeiro evento da puberdade é o sinal químico emitido pela hipófise para ativar a produção de hormônios de crescimento e hormônios gonadotróficos, responsáveis pelo desenvolvimento sexual primário.

Portanto, em um determinado dia, o adolescente irá se olhar no espelho e não se reconhecerá na imagem refletida. E, psicologicamente, se explica porque a imagem construída ao longo da infância entra em choque como o novo corpo, causando uma sensação de estranheza, como também, muitas vezes de desconforto.

Na maioria das vezes, não só esquisitice, mal-estar, por causa da inadequação entre as características físicas assumidas pelo corpo e os padrões estéticos reconhecidos na cultura ou impostos pela mídia e pela sociedade em geral. Isto interfere na sua auto-imagem e na sua auto-estima. É parte deste processo a aceitação do novo corpo e sua incorporação à auto-imagem, de forma integrada e sistêmica.

A droga é retrógrada. Quem a usa sente um prazer momentâneo. Por isto, quem usa diz que é bom. Mas no geral, vai perceber que é prejudicial à vida, que não é bom e muito, mesmo sendo prazeroso. Um prazer que é muito pouco pelo que ocasiona. E quando o jovem começa a se interessar pelo assunto só vê as notícias favoráveis, como por exemplo: Holanda libera venda de maconha nas farmácias.

Se você conversar com os adolescentes eles irão lhe dizer: “Viu só a Holanda liberou, então não é tão ruim assim. Até nas farmácias estão vendendo!”

Quantos comerciais de bebidas alcoólicas fazem marketing em cima do produto como se fossem refrigerantes. E não conseguem pensar, refletir sobre esta criação exacerbada de conceitos. Se em cada notícia ou comercial se exigisse, através de uma lei, que em seguida se mostrassem seus efeitos, como acidentes, vítimas, não estaríamos fazendo um tipo de prevenção.

O ser humano associa muito do que aprende através da imagem, o adolescente mais ainda. No momento em que vivemos tudo é imagem! Seria uma forma de ao lembrar de tal notícia ou anúncio, lembrasse também das consequências.

Então, penso que pais, educadores, escola e sociedade precisam ser quem realmente ajuda o adolescente, principalmente quando se trata das drogas. É uma combinação de atitudes, de exemplos dos pais, dos professores baseados em princípios de educação, moral e ética, com coerência e constância que podem fortalecer. E, lembrando Tiba (2005), através do costume na prevenção sem sermos chatos, de termos coragem sem ser temerários, de sermos mais resistentes às frustrações, de sermos mais progressivos do que retrógrados, de resguardar o que é bom sem ser tediante, de ter mais que tudo a natural alegria de viver…

Pois os jovens querem sentir o prazer, não o vício, só que acabam por ficarem viciados em sentir prazer! E isto vai gerar sempre a repetição de se querer mais e mais, sempre mais.

Separar-se dos pais, é uma separação simbólica e não física. Na ansiedade pela independência o adolescente precisa compreender e internalizar que pode pensar diferente de sua família, rever suas visões de mundo, considerar outras opções de futuro desde que seja tudo com responsabilidade, clareza de que seus atos terão consequências que ele precisará administrar. E que para tudo isto precisará se autoconhecer, percebendo seus limites e suas potencialidades para fazer, aprender, conviver e ser na vida. Assumir seus posicionamentos, seus desejos, seus projetos, ainda que estejam além do que os pais originalmente projetaram para ele um dia, mas para que ao longo da construção de sua vida se torne concreto e digno fortalecendo sua personalidade.

Caso contrário, tudo isto fica só no imaginário, no faz-de-conta, o que acaba por trazer um prazer que é efêmero e líquido, provisório, não registra sentimentos, convivências, não faz aprendizado nas relações com as pessoas, o mundo e as coisas, não faz superação de desafios vividos, não faz a reconstrução da imagem e da identidade, não faz consciência cidadã planetária!

E difícil? Muito! Mas de grão em grão podemos fazer uma “praia” juntos podemos!

Referências:

Curso de prevenção do uso de drogas para educadores de escolas públicas. Secretaria Nacional Antidrogas, Ministério da Educação; Brasília, 2008.

TIBA, I. Adolescentes: quem ama, educa! – São Paulo: Integrare Editora, 2005.

* Sanches, L. R. professora/pedagoga – agosto/2009.

A Escola Enquanto Espaço de Incentivo e Valorização de Práticas Pedagógicas Diferenciadas

É de grande importância a formação do homem, e isto se fará através da educação e da sua adaptação no meio em que vive, agindo, experienciando, produzindo e transformando-se, bem como fazendo transformação da natureza a sua volta. É isto que vai construindo os registros na história da humanidade, cada indivíduo faz as representações, comunica-se, faz as significações, enfim como ator e portador da sua cultura fazem a retro-alimentação da cultura do planeta.
E como disse Saviani (1989), “educar é elevar o homem no nível de sua época”.  Conforme este indivíduo nasce, cresce, tem acesso ao conhecimento sistematizado através da escola, fazendo relações com o mundo, com as pessoas e as coisas, ele está acompanhando a sua época, contextualizado com aquele momento. E o melhor, um ser inacabado, sempre em possibilidade de construção.
O indivíduo precisa estar sempre motivado, estimulado, constantemente. Pois a satisfação conclui, encerra, coloca-se um ponto final; não permite margem para a continuidade, para a perseverança, acaba por limitar, colocar dentro de “pacotes” quadrados e fechados.
A práxis pedagógica nos espaços escolares precisa estar freqüentemente estimulando os indivíduos a fazer, a reconhecer o seu poder de fazer, a expressar a sua vontade interior, pois assim, será possível executar, efetivar ações educativas que promovam mudanças.
A educação é algo que não poderá ter limites, cabe ao espaço escolar, ter sistematização, para que a práxis seja organizada, planejada para acontecer, mas também é necessário que se permita abertura para prosseguir, a sensação de daqui a pouco tem mais, e é preciso correr atrás, enfim algo que mobilize o indivíduo sempre!
Afinal de contas os satisfeitos não querem mais! Contentam-se com um pouco, ou a média! E na educação não se pode aceitar se acomodar, pensar que não deu certo tanto tempo, nunca foi assim… A educação para concretizar-se em espaço de incentivo e de valorização é algo dinâmico, vivo, colorido, borbulhando de querer fazer!
Como diz Cortella (2008), “é fundamental não nascermos sabendo; o ser que nasce sabendo não terá novidades, só reiterações”.
Os indivíduos precisam de dose de ambição, não ganância, ambição! Pois o ambicioso é alguém que quer mais e melhor para todos. Enquanto que o ganancioso, é egoísta, quer somente para si próprio.
E como se cita Zaballa (1998), diz “que a atividade mental se desenvolve quando aplicada ao uso funcional em outras ocasiões que seja necessário”. A prática social no espaço escolar é também um local onde estes indivíduos tecem suas relações, é de extrema importância que exista comprometimento, ações que expressem responsabilidade individual e social, atribuições que permitam criar, inovar, descobrir para recriar.
As produções na escola sejam elas, a criação de jornais, rádios, projetos individuais e tantos outros instrumentos se utilizando das novas tecnologias, são formas de diversificar as práticas cotidianas, acompanhando o dinamismo da sociedade em que se vive, assim como, integrar a comunidade escolar, pais alunos, funcionários, professores, a comunidade entorno da escola.
Sendo assim, nesta relação rica, intensa e extensa de diversidade, todos os indivíduos envolvidos direta ou indiretamente poderão vivenciar suas potencialidades, acesso as informações que as novas tecnologias trazem para somar ao conhecimento acadêmico e, contribuir com a formação de indivíduos mais conscientes e participativos.

O foco da educação além de ensinar é de ajudar alunos e professores a compreender áreas específicas do conhecimento (ciências, matemática, história entre outras) é de integrar o ensino a vida, a formação integral para a cidadania, o conhecimento e ética, reflexão e ação, a ter uma visão da totalidade.

E, segundo Masseto (2000), educar é ajudar a integrar todas as dimensões da vida, a encontrar nosso caminho intelectual, emocional, profissional, que nos realize e que contribua para modificar a sociedade que temos.

Assim sendo, a educação vem colaborar para que professores e alunos – nas escolas e nas organizações – transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem. Ajudando alunos a construir suas identidades, desde o pessoal ao profissional, do seu projeto de vida, no desenvolvimento das habilidades de compreensão, emoção e comunicação que irão lhe permitir encontrar espaços pessoais, sociais e profissionais e tornarem-se cidadãos realizados e produtivos.

 E, conseqüentemente se aprende a viver em sociedade através das interações,  percebendo que é por meio da linguagem que cada indivíduo se apropria do conhecimento. Conhecimento que não é fragmentado, mas interdependente, interligado. Pois hoje, a construção do conhecimento é mais livre, acontece a partir do processamento multimídico, convivendo com diversas formas de processamento de informação. Informação esta que após critérios de seleção, estudo e pesquisa, assim como, dependendo da bagagem cultural, da idade e dos objetivos pretendidos, poderá ser transformada em conhecimento.

Para Vygotsky (1988),  ”quanto maior for a capacitação do mediador, maior a formação do sujeito, do aluno”. Então, é preciso que seja de forma sistemática organizada e intencional trabalhar os conteúdos historicamente construídos de maneira a criar, despertar o interesse no aluno.

Para isto, é importante o professor ter gosto pelo que faz ter entusiasmo e saber transmitir isto ao aluno, para que este se sinta motivado em buscar através das variadas formas de mídias associações do conhecimento que está sendo trabalhado e proposto nas disciplinas.

Como, por exemplo, a escola deve intercalar Ciências (conteúdo em si) Filosofia, Artes e Tecnologia, e neste processo, considerar que os indivíduos participantes não são somente razão. Portanto, preparar o aluno para receber, analisar, sintetizar, argumentar e fazer sua interpretação crítica das informações que recebe, além, de se desenvolver e demonstrar seus talentos e habilidades, buscando o desenvolvimento harmonioso do sujeito.

As práticas claras e mantidas pelo coletivo contribuem para a organização do trabalho pedagógico escolar resultando em melhorias significativas na aprendizagem e convivência escolar.

Atualmente ensinar com novas mídias é uma revolução se nós educadores mudarmos simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino que ainda mantêm distantes professores e alunos. Caso contrário só será “mascarada” esta modernidade, sem que consigamos efetivamente incluir no essencial da nossa práxis as mudanças concretas.

Estes novos meios de comunicação ajudam a rever, a ampliar e a modificar muitas das formas de ensinar e de aprender. E isto se faz necessário no âmbito crucial dos principais integrantes do processo de ensino e aprendizagem – alunos e professores – se entendemos que formar integralmente um indivíduo para ser cidadão é oportunizar uma educação com autonomia, confiança, entusiasmo, amadurecimento intelectual e comunicacional que promova pessoas mais humanas, que valorizam a busca por transformar esta gama de informações em conhecimentos, que sejam capazes de refletir e analisar criticamente que a cada novo dia em sala de aula é preciso inovar, criar, descobrir, sentir, aprender e ser.

REFERÊNCIAS:
CORTELLA, M. S. Não nascemos prontos!: Provocações filosóficas. 7.ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
MASSETO, M. T. Novas Tecnologias e mediação pedagógica. – 8.ª ed. Campinas: Papirus, 2000.
SAVIANI, D. Escola e democracia. Campinas: Autores Associados, 1999.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1988.
ZABALA, A. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.

Texto produzido para o GTR/SEED-PR, 2009.