A Escola e a Internet como Instrumento Educativo

Fico refletindo sobre a função social da escola frente aos avanços tecnológicos, principalmente a internet… Sem ela não poderíamos estar fazendo esta relação, com estes diálogos, cada um no seu espaço individual, tendo acesso onde quer que se esteja, visualizando, pensando e participando de tantas informações que podem ou não se tornar conhecimentos para a vida.
Hoje a internet é a principal fonte de conhecimento, mas não se deve confundir informação com conhecimento, principalmente no ambiente escolar, pois a internet, como uma das mídias contemporâneas mais fantásticas que oportuniza o acesso à informação. Prática esta que muitas vezes o pedagogo precisa no seu trabalho com o corpo docente, estimulá-los a experienciar esta ferramenta e até mesmo, se oportunizar na relação com seus alunos, fazer trocas de ensino e aprendizagens.
Pois, hoje os alunos têm mais tempo, maior facilidade e habilidades, que em meio à correria da vida diária e dos diversos trabalhos burocráticos que se precisam cumprir, nós (professores, pedagogos e até mesmo os pais) do outro lado não temos tempo para dominar este instrumento.
Porém, enquanto educadores deve-se lembrar que é preciso transformar a informação em conhecimento, mas isto exige alguns critérios de escolhas, seleção e, principalmente, de saber que o conhecimento não é cumulativo, mas é seletivo. E para quem não sabe para onde vai, qualquer prática, qualquer caminho serve…
As informações neste “mar cibernético” são milhares de milhares, tornando os indivíduos ansiosos, sufocados, quer ler tudo, saber de tudo, ficar horas e horas, até madrugadas afora e, daqui a pouco quando se pisca os olhos, tudo já se atualizou!
Na educação, na escola, na sua função social, não se pode naufragar. É como se não conseguisse fazer o uso funcional de nossa mente, como citou Zaballa (1998), “que a atividade mental se desenvolve quando aplicada ao uso funcional em outras ocasiões que seja necessário”. Sabe-se datas, nomes de vultos históricos, fases históricas da humanidade, mas é quase impossível guardar informações atualizadas.
Em meio a tudo isto, a relatos que emocionam, situações que inquietam, parece desaparecer de nossas lembranças antes mesmo de que se possa compreender, entender.
Portanto, a escola enquanto espaço de incentivo e valorização precisa envolver os profissionais da educação em um diálogo marcado pela historicidade, aproximando modos de viver o presente, sem preconceito trancar no baú o passado e sem arrogância deixar de significar o futuro.
A prática social no espaço escolar é também um local onde os indivíduos tecem suas relações, é de extrema importância que exista comprometimento, ações que expressem responsabilidade individual e social, atribuições que permitam criar, inovar, descobrir para recriar.
Viver e conviver o novo, é aprender todos os dias com práticas pedagógicas diferenciadas, é não permitir que a cultura do imediatismo, do tudo pronto sufoque a perseverança, o acreditar, o querer e poder fazer. Porque aquele que acha que tudo sabe, é limitado; é refém do que já sabe; é prisioneiro de situações que são inéditas, mas que não se sabe como enfrentar; se obriga apenas a repetir, não se permite experienciar, criar, refazer, redescobrir, modificar, construir “barcos” melhores para navegar com precisão neste mar cibernético que é a internet, uma ferramenta tão rica de possibilidades que exemplifica o cotidiano do indivíduo que é parte integrante e atuante deste planeta globalizado e mundializado chamado Terra.

REFERÊNCIAS:
CORTELLA, M. S. Não nascemos prontos!: Provocações filosóficas. 7.ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
SAVIANI, D. Escola e democracia. Campinas: Autores Associados, 1999.
ZABALA, A. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.

Texto produzido para o GTR/SEED-PR, 2009.