A escola como espaço de transformações individuais e sociais

Vivendo na Era do Conhecimento, que é informação em ação, em uso. É preciso lembrar que o cérebro memoriza informações que têm utilidade, forte carga emocional ou por repetições quando planejar e organizamos os trabalhos com os alunos (Tiba, 2005).

Diante da pós-modernidade seria impossível processar todas as informações que apreendemos, tanto nós educadores, quanto mais nossos alunos. Mas num “piscar de olhos” percebe-se o mundo ao nosso redor, como número de informações apreendidas infinitas.

O apreender é um processo natural. Estudar é organizar esse aprendizado, focando em conteúdos que se associam captando as informações que podem estar descritas em um livro ou numa explanação do professor ou mesmo em atividades diversificadas em outros espaços ricos em incentivar o desenvolvimento das competências do indivíduo. E, desta forma, poderá ampliar conhecimentos e leitura de mundo, das pessoas e das coisas.

A escola tem, dentro da sua autonomia possível, como criar ambientes favoráveis a promoção da saúde de todos, a partir do momento que propicia a transformação individual e social, ampliando sua função de ensinar, adquirindo uma função social. Mostrando através de suas ações socioeducativas a qualidade de vida que cada um pode ter e de poder construir, como também de se garanti-la a todos.

O educador em sua função de mediador e em suas reflexões precisa utilizar os conhecimentos adquiridos para a elaboração de estratégias da promoção da saúde e do bem-estar de toda a comunidade interna e, conseqüentemente, externa. As buscas do bem-estar ocasionaram processos de produção e criação de conhecimentos que alimenta a cultura de uma escola, como a da região onde se situa esta escola e, projeta-se na sociedade que se vive.

O processo educacional tanto se desdobra em dimensões de transmissão da cultura e o conhecimento quanto de despertar as potencialidades, reflexões e críticas acerca da realidade e das possibilidades de alteração, que acabam por modificar, mobilizar, sensibilizar os usos, mores e costumes de um povo, bem como a sua cultura.

Dentro das características de uma escola além de distinções previstas na lei, desde o quadro de giz até o torno e o em torno existente na comunidade podem ser recursos importantes, significantes como opções didáticas para o fazer pedagógico.

O educador deve saber que pelo levantamento do perfil da turma, em um primeiro plano, em curto prazo atinge seu objetivo com a turma, na seqüência, levanta o perfil da escola, num segundo plano, em médio prazo, articula a continuidade do trabalho que já vem realizando com a turma e agora com a escola. Depois, em um levantamento do perfil da comunidade, em longo prazo, cumpre um trajeto, no processo de construção do conhecimento quem vem das partes para o todo.

Assim, enriquece ainda mais seu trabalho, enquanto educador, sendo capaz de reconhecer, procurar e receber a colaboração de todos os envolvidos no processo de educação.

A escola na visão de alguns estudos pode ser um mecanismo de controle social, estabilidade do sistema capitalista, que precisa pensar e repensar o pensado, no que se refere a que indivíduo se pretender formar, críticos, ativos, cidadãos planetários na sua forma de organizar para disciplinar e fazê-los pensar ou se tornarem alienados? Que têm consciência de seus direitos, porém refletidos seriamente em seus deveres, responsabilidades e compromissos individuais e coletivos. Isto depende do que norteia o “barco que navega” e se os envolvidos levam o “leme” com firmeza, conhecimento e afeto.

Com a visão de conjunto que educadores têm sobre o que se transmite aos alunos, sustentando o fazer pedagógico em alternativas de ensino e aprendizagem inovadoras e criativas se amplia os entendimentos e as possibilidades de realizações.

Por isto, é importante que o educador no viver e convier com os desafios precisa administrar com criatividade e prontidão as incertezas do cotidiano. Pois como se lida com pessoas, coma vida, tudo ao mesmo tempo, é dinâmico e complexo, porém sempre novo, a cada dia. Assim, como a oportunidade que o Creador nos dá a cada dia quando amanhece junto com um novo dia a oportunidade justa de fazermos algo diferente, de continuarmos na construção da educação.

O professor como mediador na escola é peça imprescindível da teia de relações que é tecida a cada instante do cotidiano no processo de comunicação potencializando e desenvolvendo pessoas. Comunicar é expressar desde o jeito que o educador se encaminha para a escola, para a sala de aula que irá atuar, de como entra, como olha para os alunos, até como irá trabalhar determinado conteúdo e como irá administrar o emergente e o predisponente a cada turma, e toda a complexidade de relações que se dá no ambiente educativo.

As relações sociais no contexto escolar precisam se pensadas e refletidas na forma que ocorrem, dando origem a vários tipos de relações, se são amistosas, íntimas, de dominação de conflito, e tantas outras que o espaço educacional proporciona, como também se as ações são de paz ou de violência, de saúde ou de doenças, de poder ou de autonomia. E, os educadores, se são e estão capazes de estimular novas condições de aprendizagem, é um repensar do pensado, que deveria estar presente em nossas reflexões.

O educador, ao desempenhar seu compromisso com a educação precisa perceber seu papel na qualidade e na promoção do sucesso e da felicidade, primeiramente sua e conseqüentemente de toda a escola. Buscando a transformação das informações em reais conhecimentos e tornando-os úteis, com uso e função efetivos na resolução dos desafios do cotidiano, para desencadeie processos cognitivos e afetivos no desenvolvimento do ser humano, seja ele educando ou educador.

É assim que acontece! O processo de educação é intenso e dinâmico! Por isto, é preciso estar preparado. E estar preparado é estar em prontidão, com amor, muito amor, respeito, tolerância, ética, esperança e determinação. Não nascemos pronto! Nascemos para nos construirmos a cada instante de nossas vidas!

Referências:

Curso de prevenção do uso de drogas para educadores de escolas  públicas. Secretaria Nacional Antidrogas, Ministério da Educação; Brasília, 2008.

TIBA, I. Adolescentes: quem ama, educa! – São Paulo: Integrare Editora, 2005.

* Sanches, L. R. Professora/Pedagoga – setembro/2009.

Que imagem você tem do adolescente? Drogas, família, escola e sociedade.*

Pensando na imagem que temos ou fazemos do adolescente e, que principalmente, muitas vezes não corresponde à realidade, percebemos que pouco ainda sabemos. Apesar de estarmos bem próximos deles todos os dias, sem casa, por serem filhos, sobrinhos, seja no ambiente de trabalho, como alunos, sejam em grupos de lazer; olhamos a nossa volta e vemos adolescentes por toda  a parte.

Talvez, em um primeiro olhar, já vai julgando-os pela forma como conversam, com gírias, as roupas que vestem, como se comportam, etc. E, esquecemos de nos permitir conhecê-los na sua plenitude da adolescência. Afinal, enquanto adolescentes, jovens, neles tudo estão fervilhando, cores, formas, sejam pelos hormônios, seja pela diversidade que vêem o mundo a sua volta em meio a tantas mudanças e tecnologias; ou seja, pura e simplesmente pela vontade enorme e profunda de mudar, inovar, chocar, experimentar, tocar e sentir tudo que o rodeia! Já fomos assim! Uns menos, outros mais!

Porém, todos passam pela fase que separa a criança dependente afetiva da família que só se relaciona com pares da escola escolhida pelos pais do adolescente, em questão, que tem mais mobilidade no espaço social, compartilha seu tempo maior parte com outros adolescentes do que com a família, faz escolhas e identificações sociais sem interferência direta da família. Esquecemos que são indivíduos em formando, se construindo a cada instante e que precisa da nossa confiança para mostrar seu potencial, sua criatividade.

Depois fiquei pensando se: “É possível uma sociedade sem drogas? E uma escola sem drogas?”

Já que precisamos conhecer mais profundamente o objeto de trabalho enquanto educadores em uma sociedade tão inundada pela cultura do comodismo, do imediatismo e do consumismo. Que nos faz tão egoístas, tão “cegos” de nossas reais funções na educação!

Em nossa língua, o termo adolescência possui duas características distintas: amadurecer (crescer, desabrochar) e adoecer. É preciso refletir se nossas ações na escola e na vida que irão ter ecos na sociedade que vivemos, estão colaborando para fazer este adolescente crescer e desabrochar para a vida ou para adoecer em meio à crise psicossocial atravessada neste período. A puberdade, característica do amadurecimento do adolescente, pode ser compreendida como um fato natural que, ao longo da história da humanidade, se apresenta como um processo proveniente de transformações culturais.

A adolescência, além de fazer parte de uma construção histórica e de uma produção cultural, também expressa às formas singulares com que cada pessoa é, vive e sente a transição da infância para a vida adulta.

O adolescente neste processo natural passa pela reconstrução da auto-imagem e senso de identidades, através das transformações fisiológicas, que compõem o evento do desenvolvimento biológico para reprodução sexual. O primeiro evento da puberdade é o sinal químico emitido pela hipófise para ativar a produção de hormônios de crescimento e hormônios gonadotróficos, responsáveis pelo desenvolvimento sexual primário.

Portanto, em um determinado dia, o adolescente irá se olhar no espelho e não se reconhecerá na imagem refletida. E, psicologicamente, se explica porque a imagem construída ao longo da infância entra em choque como o novo corpo, causando uma sensação de estranheza, como também, muitas vezes de desconforto.

Na maioria das vezes, não só esquisitice, mal-estar, por causa da inadequação entre as características físicas assumidas pelo corpo e os padrões estéticos reconhecidos na cultura ou impostos pela mídia e pela sociedade em geral. Isto interfere na sua auto-imagem e na sua auto-estima. É parte deste processo a aceitação do novo corpo e sua incorporação à auto-imagem, de forma integrada e sistêmica.

A droga é retrógrada. Quem a usa sente um prazer momentâneo. Por isto, quem usa diz que é bom. Mas no geral, vai perceber que é prejudicial à vida, que não é bom e muito, mesmo sendo prazeroso. Um prazer que é muito pouco pelo que ocasiona. E quando o jovem começa a se interessar pelo assunto só vê as notícias favoráveis, como por exemplo: Holanda libera venda de maconha nas farmácias.

Se você conversar com os adolescentes eles irão lhe dizer: “Viu só a Holanda liberou, então não é tão ruim assim. Até nas farmácias estão vendendo!”

Quantos comerciais de bebidas alcoólicas fazem marketing em cima do produto como se fossem refrigerantes. E não conseguem pensar, refletir sobre esta criação exacerbada de conceitos. Se em cada notícia ou comercial se exigisse, através de uma lei, que em seguida se mostrassem seus efeitos, como acidentes, vítimas, não estaríamos fazendo um tipo de prevenção.

O ser humano associa muito do que aprende através da imagem, o adolescente mais ainda. No momento em que vivemos tudo é imagem! Seria uma forma de ao lembrar de tal notícia ou anúncio, lembrasse também das consequências.

Então, penso que pais, educadores, escola e sociedade precisam ser quem realmente ajuda o adolescente, principalmente quando se trata das drogas. É uma combinação de atitudes, de exemplos dos pais, dos professores baseados em princípios de educação, moral e ética, com coerência e constância que podem fortalecer. E, lembrando Tiba (2005), através do costume na prevenção sem sermos chatos, de termos coragem sem ser temerários, de sermos mais resistentes às frustrações, de sermos mais progressivos do que retrógrados, de resguardar o que é bom sem ser tediante, de ter mais que tudo a natural alegria de viver…

Pois os jovens querem sentir o prazer, não o vício, só que acabam por ficarem viciados em sentir prazer! E isto vai gerar sempre a repetição de se querer mais e mais, sempre mais.

Separar-se dos pais, é uma separação simbólica e não física. Na ansiedade pela independência o adolescente precisa compreender e internalizar que pode pensar diferente de sua família, rever suas visões de mundo, considerar outras opções de futuro desde que seja tudo com responsabilidade, clareza de que seus atos terão consequências que ele precisará administrar. E que para tudo isto precisará se autoconhecer, percebendo seus limites e suas potencialidades para fazer, aprender, conviver e ser na vida. Assumir seus posicionamentos, seus desejos, seus projetos, ainda que estejam além do que os pais originalmente projetaram para ele um dia, mas para que ao longo da construção de sua vida se torne concreto e digno fortalecendo sua personalidade.

Caso contrário, tudo isto fica só no imaginário, no faz-de-conta, o que acaba por trazer um prazer que é efêmero e líquido, provisório, não registra sentimentos, convivências, não faz aprendizado nas relações com as pessoas, o mundo e as coisas, não faz superação de desafios vividos, não faz a reconstrução da imagem e da identidade, não faz consciência cidadã planetária!

E difícil? Muito! Mas de grão em grão podemos fazer uma “praia” juntos podemos!

Referências:

Curso de prevenção do uso de drogas para educadores de escolas públicas. Secretaria Nacional Antidrogas, Ministério da Educação; Brasília, 2008.

TIBA, I. Adolescentes: quem ama, educa! – São Paulo: Integrare Editora, 2005.

* Sanches, L. R. professora/pedagoga – agosto/2009.