Educação: Resgatando o Civismo


Por Rene Blanchet

(…) Parece-me que as disciplinas das ciências da Terra podem demonstrar a importância do equilíbrio em nossos sistemas complexos e permitir, portanto, uma melhor apreensão dos fenômenos do meio ambiente, o que leva a abordar problemas de ética.

Creio também que é importante, para a educação do jovem cidadão, mostrar que o trabalho de equipe, a contribuição de um grupo numa reflexão comum e a troca podem ajudar cada um, cada indivíduo, cada jovem. Com a Terra, creio que temos um assunto que pode favorecer um trabalho de grupo por parte dos alunos. Cada qual tendo suas próprias motivações fortes, suas competências, alguns mais filósofos e apegados ao problema das origens, outros mais científicos, outros ainda mais cosmógrafos ou matemáticos, a Terra é um assunto em que todos podem se encontrar, em relação ao qual podem ser recriados sistemas cruzados que saem completamente da compartimentação a que estamos habituados.

Trecho da obra: A Religação dos Saberes: o desafio do século XXI/idealizadas e dirigidas por Edgar Morin; tradução de Flávia Nascimento. Bertrand Brasil, 2001.

É necessária uma educação cívica aos indivíduos da contemporaneidade. Não um civismo com resquício de militarismo, mas um civismo que tem conhecimento do seu país, que nutre o orgulho de ser brasileiro, de ser um país com tantas riquezas materiais, físicas,   sociais, filosóficas, biológicas e também econômicas, que contribuem para ampliar a visão de mundo, de pessoas e das coisas.

Civismo para saber quais são os deveres de cada sujeito atuante e participante da sociedade em que vive, bem mais do que a exigências dos direitos tão exigidos atualmente por nós, sujeitos pertencentes desta sociedade. Um civismo que faz sentirmos a poesia e o sentido de cada palavra expressada nos hinos do nosso país.

Infelizmente, o civismo, porque parecia ser uma exigência militar, foi sendo esquecido com o passar dos anos. Os militares o carregam com amor, e talvez, até um pouco de fanatismo (quem sabe, não se sabe…) fiquemos com o que é positivo.

Falar de civismo é falar de  atitudes e comportamentos que  os cidadãos manifestam no cotidiano em defesa ou no resgate de certos valores e práticas assumidas para fundamentar uma vida coletiva com o objetivo de preservar a harmonia e o bem-estar de todos.

O civismo consiste o respeito aos valores, às instituições e por que não às práticas políticas de um país, talvez seja por isto que algumas pessoas não veem o civismo como uma expressão da cidadania. Talvez, pela forte ligação política e filosófica que exista em nosso país ligada à época da ditadura.

Obter conhecimento sobre civismo e cidadania depende sempre de uma boa educação. E isto ocorre em todas as cidades onde as oportunidades de acesso ao saber se tornam mais simples ou quase que inexistentes. É lamentável quando um país precisa de cidadãos com consciência cívica e não se preocupa com isto.

E isto só é possível  quando se acredita na educação como um instrumento eficaz para a formação de uma sociedade reconhecida pela sua capacidade de compreender as causas nobres.

Mesmo que exista egoísmo de alguns grupos – que não podem ser dizer cidadãos – cerceando a ascensão de muitos, impedindo de oportunidades ao saber, sabemos que um ensino de boa qualidade além de promover o indivíduo enriquece a sua Pátria. Assim como a cidadania não é privilégio de quem vive nos grandes centros, é  de quem vem a liberdade com um meio – uma ponte -  para o “ir e vir”, pensando na paz e na concretização de uma vida social integrada, composta de todos que fazem parte de uma sociedade.

O ensino pode ser uma grande potência em um país quando este é acompanhado por bons exemplos e por indivíduos cidadãos e dotados de sentido de civismo que educam.

Apesar de serem conceitos muito subjetivos – civismo, cidadania e patriotismo – são valores que expressam os sentimentos que cada um constrói ao longo das suas vivências e convivências ao longo da vida. Diante disto, fica uma reflexão de que segundo o dicionário da língua portuguesa civismo é a devoção pelas coisas públicas, pelos interesses da nação, e está muito interligado aos conceitos de patriotismo, religião e moral, e está diretamente vinculado às pessoas,  é o cumprimentos dos seus deveres e direitos. Já o patriotismo é o extremo e natural amor que todo cidadão tem pela terra em que nasceu.

Então, sabemos que o civismo é um sentimento que precisa ser semeado a todo instante e que deve permear todos os atos de nossa vida como cidadãos, e a conhecer e cultivar o amor e o respeito pelos símbolos nacionais e principalmente pela bandeira nacional, pelo fato de serem a expressão da nossa nação, o significado do nosso país.

Assim, seria mais fácil compreender o respeito mútuo entre as pessoas por quaisquer que sejam as coisas que nos diferenciam uns dos outros.

Professora Leila.

*Geofisiologia: esboço para uma nova ciência da Terra

 por Pieter Westbroek

 (…) é óbvia a necessidade de rever a formação universitária em seu conjunto, (…) falta tempo para ensinar tudo o que deveria ser aprendido em cada especialidade, não tem consistência.  De fato, segundo a excelente fórmula de Marc Richelle: “Realmente falta tempo, o que, de qualquer forma, é uma ótima razão para empregar o tempo de outra forma e de uma forma que seja benéfica para todos.”

Trata-se de imperativos que dizem respeito a todos nós, enquanto pesquisadores, enquanto educadores, enquanto cidadãos e, de maneira ainda mais geral, enquanto seres humanos arrastados num salto evolutivo da humanidade, humanidade que, a um só tempo, é da biosfera e está nela, é da biodiversidade terrestre e está nela.

O risco é evidente: recusar os desafios é, para o cientista, perder toda legitimidade social. Recusar os desafios, é para o cidadão, esquivar-se do debate público. É esquivar-se de nossa responsabilidade em relação à conscientização do que deve ser a vida terrestre e sobre o que ela corre o risco de tornar-se para as gerações futuras e, em primeiríssimo lugar, para a geração cuja educação é nossa obrigação, aqui e agora. (…) compartilho plenamente desse pensamento de Vaclav Havel: “Nosso respeito pelo outro, por outro povo, por outra cultura, só pode nascer de um respeito pela ordem do universo e de nossa convicção de pertencer a essa ordem. Devemos tomar consciência da parte que temos nisso e da permanência de nossos atos que são inscritos e serão avaliados no âmbito da memória eterna da vida.” (…)

Trecho da obra: A Religação dos Saberes: o desafio do século XXI/idealizadas e dirigidas por Edgar Morin; tradução de Flávia Nascimento. Bertrand Brasil, 2001.

* A geofisiologia é uma nova ciência proposta por James Lovelock que estuda a vida a partir de uma pers­pectiva mais abrangente. A geofisiologia é “a ciência dos grandes sistemas vivos, como a Terra”, explica o cientista britânico. “Ela se ocupa da maneira como a Terra viva fun­ciona”. A geofisiologia ignora as divisões tradicionais entre as ciências da Terra, como geologia, por exemplo, e as da vida, como a biologia, que concebem a evolução das ro­chas e a da vida como duas áreas científicas separadas. Em lugar disso, a geofisiologia trata os dois processos como uma única ciência evolutiva que pode explicar detalhadamente a história do planeta.

JAMES LOVELOCK entende a terra como um sistema fisiológico único, uma entidade viva. e como todo ser vivo a terra seria capaz de auto-regular seus processos químicos e sua temperatura.

Fonte: Mundo em foco, ano 2, nº 2.

Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um comboio do metrô de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 8.000 vezes em 2011. Se fosse um comboio, eram precisas 7 viagens para que toda gente o visitasse.

Clique aqui para ver o relatório completo

Refletindo o ser humano…

HOMO SAPIENS-AMANS AMANS: O MODO DE CONVIVER QUE NOS DÁ ORIGEM

É desde a ampliação do olhar do amor que o Homo sapiens-amans amans pode ver os outros distintos. É o olhar amoroso, o olhar que surge no âmbito das condutas relacionais através das quais uma pessoa, o outro, a outra, tudo o mais, surge como legítimo outro em convivência com essa pessoa, o olhar que permite ver a própria circunstância e ampliar a reflexão e o entendimento. A partir do olhar da biologia do amar, o ver a própria circunstância permite escolher livremente se se quer permanecer nela ou se quer mudar. (…).

(…) O amar é a classe das condutas relacionais através da qual um alguém, a outra, o outro ou o tudo o mais surge como legítimo outro na convivência com esse alguém. O amar amplia o olhar, expande o ver e solta o apego à certeza porque implica aceitar a legitimidade da circunstância que se vive. É só depois de ver o que se vive que se pode querer ou não querer esse viver.  E é só depois de ver, sentir, escutar, cheirar meu querer que posso me perguntar: quero o querer que quero?, quero meu querer?, e é desde as respostas a estas interrogações que surge, sem notarmos a experiência de liberdade como uma experiência ao distinguir, a  partir de mim, meu escolher o querer que quero.

O amar como um acontecer biológico surge de maneira espontânea, sem esforço, é unidirecional, não pede nada em troca. No amar uma pessoa, o outro, a outra tem presença, vive-se o ser visto, e a queixa frente ao desamar é por não ter presença, por não ser visto, (…).

No amar nos achamos no bem-estar psíquico e corporal, o que nos produz alegria e harmonia no viver e conviver. (…)

Trechos da obra: Habitar Humano em seis de biologia-cultural, de Humberto Maturana Romesín e Ximena Dávila Yáñez;  tradução de Edson Araújo Cabral. Editora Palas Athenas, 2009.