Que imagem você tem do adolescente? Drogas, família, escola e sociedade.*
25 ago 2009 1 Comentário
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Pensando na imagem que temos ou fazemos do adolescente e, que principalmente, muitas vezes não corresponde à realidade, percebemos que pouco ainda sabemos. Apesar de estarmos bem próximos deles todos os dias, sem casa, por serem filhos, sobrinhos, seja no ambiente de trabalho, como alunos, sejam em grupos de lazer; olhamos a nossa volta e vemos adolescentes por toda a parte.
Talvez, em um primeiro olhar, já vai julgando-os pela forma como conversam, com gírias, as roupas que vestem, como se comportam, etc. E, esquecemos de nos permitir conhecê-los na sua plenitude da adolescência. Afinal, enquanto adolescentes, jovens, neles tudo estão fervilhando, cores, formas, sejam pelos hormônios, seja pela diversidade que vêem o mundo a sua volta em meio a tantas mudanças e tecnologias; ou seja, pura e simplesmente pela vontade enorme e profunda de mudar, inovar, chocar, experimentar, tocar e sentir tudo que o rodeia! Já fomos assim! Uns menos, outros mais!
Porém, todos passam pela fase que separa a criança dependente afetiva da família que só se relaciona com pares da escola escolhida pelos pais do adolescente, em questão, que tem mais mobilidade no espaço social, compartilha seu tempo maior parte com outros adolescentes do que com a família, faz escolhas e identificações sociais sem interferência direta da família. Esquecemos que são indivíduos em formando, se construindo a cada instante e que precisa da nossa confiança para mostrar seu potencial, sua criatividade.
Depois fiquei pensando se: “É possível uma sociedade sem drogas? E uma escola sem drogas?”
Já que precisamos conhecer mais profundamente o objeto de trabalho enquanto educadores em uma sociedade tão inundada pela cultura do comodismo, do imediatismo e do consumismo. Que nos faz tão egoístas, tão “cegos” de nossas reais funções na educação!
Em nossa língua, o termo adolescência possui duas características distintas: amadurecer (crescer, desabrochar) e adoecer. É preciso refletir se nossas ações na escola e na vida que irão ter ecos na sociedade que vivemos, estão colaborando para fazer este adolescente crescer e desabrochar para a vida ou para adoecer em meio à crise psicossocial atravessada neste período. A puberdade, característica do amadurecimento do adolescente, pode ser compreendida como um fato natural que, ao longo da história da humanidade, se apresenta como um processo proveniente de transformações culturais.
A adolescência, além de fazer parte de uma construção histórica e de uma produção cultural, também expressa às formas singulares com que cada pessoa é, vive e sente a transição da infância para a vida adulta.
O adolescente neste processo natural passa pela reconstrução da auto-imagem e senso de identidades, através das transformações fisiológicas, que compõem o evento do desenvolvimento biológico para reprodução sexual. O primeiro evento da puberdade é o sinal químico emitido pela hipófise para ativar a produção de hormônios de crescimento e hormônios gonadotróficos, responsáveis pelo desenvolvimento sexual primário.
Portanto, em um determinado dia, o adolescente irá se olhar no espelho e não se reconhecerá na imagem refletida. E, psicologicamente, se explica porque a imagem construída ao longo da infância entra em choque como o novo corpo, causando uma sensação de estranheza, como também, muitas vezes de desconforto.
Na maioria das vezes, não só esquisitice, mal-estar, por causa da inadequação entre as características físicas assumidas pelo corpo e os padrões estéticos reconhecidos na cultura ou impostos pela mídia e pela sociedade em geral. Isto interfere na sua auto-imagem e na sua auto-estima. É parte deste processo a aceitação do novo corpo e sua incorporação à auto-imagem, de forma integrada e sistêmica.
A droga é retrógrada. Quem a usa sente um prazer momentâneo. Por isto, quem usa diz que é bom. Mas no geral, vai perceber que é prejudicial à vida, que não é bom e muito, mesmo sendo prazeroso. Um prazer que é muito pouco pelo que ocasiona. E quando o jovem começa a se interessar pelo assunto só vê as notícias favoráveis, como por exemplo: Holanda libera venda de maconha nas farmácias.
Se você conversar com os adolescentes eles irão lhe dizer: “Viu só a Holanda liberou, então não é tão ruim assim. Até nas farmácias estão vendendo!”
Quantos comerciais de bebidas alcoólicas fazem marketing em cima do produto como se fossem refrigerantes. E não conseguem pensar, refletir sobre esta criação exacerbada de conceitos. Se em cada notícia ou comercial se exigisse, através de uma lei, que em seguida se mostrassem seus efeitos, como acidentes, vítimas, não estaríamos fazendo um tipo de prevenção.
O ser humano associa muito do que aprende através da imagem, o adolescente mais ainda. No momento em que vivemos tudo é imagem! Seria uma forma de ao lembrar de tal notícia ou anúncio, lembrasse também das consequências.
Então, penso que pais, educadores, escola e sociedade precisam ser quem realmente ajuda o adolescente, principalmente quando se trata das drogas. É uma combinação de atitudes, de exemplos dos pais, dos professores baseados em princípios de educação, moral e ética, com coerência e constância que podem fortalecer. E, lembrando Tiba (2005), através do costume na prevenção sem sermos chatos, de termos coragem sem ser temerários, de sermos mais resistentes às frustrações, de sermos mais progressivos do que retrógrados, de resguardar o que é bom sem ser tediante, de ter mais que tudo a natural alegria de viver…
Pois os jovens querem sentir o prazer, não o vício, só que acabam por ficarem viciados em sentir prazer! E isto vai gerar sempre a repetição de se querer mais e mais, sempre mais.
Separar-se dos pais, é uma separação simbólica e não física. Na ansiedade pela independência o adolescente precisa compreender e internalizar que pode pensar diferente de sua família, rever suas visões de mundo, considerar outras opções de futuro desde que seja tudo com responsabilidade, clareza de que seus atos terão consequências que ele precisará administrar. E que para tudo isto precisará se autoconhecer, percebendo seus limites e suas potencialidades para fazer, aprender, conviver e ser na vida. Assumir seus posicionamentos, seus desejos, seus projetos, ainda que estejam além do que os pais originalmente projetaram para ele um dia, mas para que ao longo da construção de sua vida se torne concreto e digno fortalecendo sua personalidade.
Caso contrário, tudo isto fica só no imaginário, no faz-de-conta, o que acaba por trazer um prazer que é efêmero e líquido, provisório, não registra sentimentos, convivências, não faz aprendizado nas relações com as pessoas, o mundo e as coisas, não faz superação de desafios vividos, não faz a reconstrução da imagem e da identidade, não faz consciência cidadã planetária!
E difícil? Muito! Mas de grão em grão podemos fazer uma “praia” juntos podemos!
Referências:
Curso de prevenção do uso de drogas para educadores de escolas públicas. Secretaria Nacional Antidrogas, Ministério da Educação; Brasília, 2008.
TIBA, I. Adolescentes: quem ama, educa! – São Paulo: Integrare Editora, 2005.
* Sanches, L. R. professora/pedagoga – agosto/2009.
Artes, Criatividade e Sensibildade: Refletindo para uma Educação Ecológica e Sustentável*
06 ago 2009 Deixe um comentário
Dentro de uma visão eco-pedagógica apresentada no livro “Alfabetização ecológica: a educação das crianças para um mundo sustentável” que tem a organização de Fritjof Capra e outros, pode-se tomar conhecimento de trabalhos realizados em algumas partes do nosso planeta com comunidades, famílias, pessoas para transformar a educação.
E, para refletirmos, Capra (2006), cita que:
“(…) é preciso aprender com as sociedades que se sustentaram durante séculos, moldar sociedades humanas de acordo com os ecossistemas naturais, que são comunidades sustentáveis de plantas, animais e microorganismos. Uma vez que a característica mais proeminente da biosfera é a sua capacidade inerente de sustentar a vida, uma comunidade humana sustentável terá que ser planejada de maneira tal que seu estilo de vida, tecnologia e instituições sociais respeitem, apóiem e cooperem com a capacidade inerente da natureza de manter a vida. (…).”
Para isto o ser humano precisa ter um conhecimento pormenorizado de como a natureza e suas ações sustentam a teia da vida e, de como estes ecossistemas podem se organizar.
Segundo Capra (2006), ele questiona:
“(…) se organizam para sustentar processos vitais básicos através de bilhões de anos de evolução? Como os ecossistemas podem prosperar com uma abundância de energia e sem desperdício? Como a natureza manufatura superfícies – como as conchas dos moluscos – que são mais duras do que a cerâmica produzida pela nossa alta tecnologia, e fios de seda – fiados pelas aranhas – que são cinco vezes mais resistentes do que o aço? (…).”
Alfabetização ecológica é o que se faz necessário para alterar o nosso pensar, fazer saber e ser, pois sustentável deve ser a ação efetiva de responsabilidade- individual e coletiva – com a parte e o todo em que vivemos, convivemos, experienciamos. Neste local chamado planeta Terra, utilizamos o que herdamos quando aqui chegamos e não nos importamos com “o quê” e com “o como” iremos deixar para as gerações futuras, nossos parentes planetários.
Ou como cita Capra (2006), sustentável é “capaz de satisfazer as suas necessidades e aspirações sem diminuir as oportunidades das gerações futuras”.
Uma das autoras que compartilha esta obra Pamela Michael, comenta que integrar ao currículo a ciência juntamente com arte, além de trazer um sentido pedagógico pode trazer sensibilidade ao individuo, assim como uma nova leitura de mundo, a partir da “[...] curiosidade e a admiração, aumentado a sensibilidade sua relação à natureza, assim como a sua expressividade ao reagir ao meio ambiente. [...].” (Capra, 2006).
Como também pode ser bem recebida por professores, especialmente por quem está trabalhando com os princípios da ecologia. Uma vez ambas as disciplinas baseiam-se na observação, no reconhecimento de padrões, na solução de problemas, na experimentação e no modo de pensar. Pois, tanto os artistas quanto os cientistas observam, registram, imaginam e criam.
Segundo Michael (2006), “desde o século e início do século XIX e início do século XX em estudos aprofundados foram encontrados textos de história natural transbordavam de arte, poesia, canto e até mesmo pitadas de espiritualidade. Nestes textos também foram constatados um amor e um respeito pela natureza e pela beleza”.
Assim se esperar que através da educação ambiental reconhecer o papel crucial das emoções no processo de aprendizagem, as atividades que tanto informam a mente quanto envolvem o coração, provando ser uma combinação poderosa e eficaz. Como também seria importante que as pessoas entendam que se faz necessário proteger aquilo que amam, não tão para preservação, mas por afinidade, afinidade de se apaixonar pelo planeta Terra.
A educação em busca de uma vida sustentável pode ser uma pedagogia que traz a possibilidade de entendimento através da práxis embasada nos princípios da ecologia, conseqüentemente, sensibilizar os indivíduos para um profundo respeito a natureza viva dentro uma abordagem transdisciplinar que se expressa no ensino e aprendizagem que considera a experiência e a participação na construção do edifício lógico e axiológico de cada espaço educacional e de seus cidadãos planetários.
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