Qual o conceito de droga?

Droga, segundo a definição da Organização Mundial da Saúde, é qualquer substância não produzida pelo organismo que tem a propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas, produzindo alterações em seu funcionamento.

Uma droga não é por si só boa ou má. Existem substâncias que são usadas com a finalidade de produzir efeitos benéficos, como o tratamento de doenças, e são consideradas medicamentos. Mas também existem substâncias que provocam malefícios à saúde, os venenos ou tóxicos. É interessante que a mesma substância pode funcionar como medicamento em algumas situações e como tóxico em outras.

Essas drogas alteram o funcionamento cerebral e causam modificações no estado mental e no psiquismo do indivíduo que faz uso. Por esta razão,  são chamadas de drogas psicotrópicas, e conhecidas também como substâncias psicoativas. Substâncias estas que têm a capacidade de provocar dependência. E ainda, existem substâncias aparentemente inofensivas que fzem parte de muitos produtos de uso doméstico que têm este poder.

Os efeitos das diversas drogas sobre o organismo podem ser agrupados, para fins práticos, em efeitos agudos (que ocorrem durante o uso da substância) ou crônicos (que ocorrem mesmo algum tempo depois do uso da substância, geralmente após uso prolongado). Os efeitos das drogas também podem ser separados em efeitos somáticos (efeitos sobre o organismo) e efeitos psíquicos (modificações do estado da mente do usuário, provocadas pela droga). Os usuários procuram geralmente os efeitos psíquicos agudos das drogas, muitas vezes prazerosos.

Esses efeitos freqüentemente não dependem só da substância consumida, mas do contexto em que a substância é usada e das expectativas que o usuário tem com relação à substância.

A questão do envolvimento de pessoas com álcool e outras drogas, segundo  a lista de substâncias na Classificação Internacional de Doenças, 10.ª Revisão (CID -10), como opióides (morfina, heroína, codeína, diversas substâncias sintéticas), canabinóides (maconha), sedativos ou hipnóticos (barbitúricos, bensodiazepínicos), cocaína, outros estimulantes (anfetaminas e substâncias relacionadas à cafeína), alucinógenos, tabaco e solventes voláteis; vai além da simples busca dos efeitos dessas substâncias.

Diversas causas para o uso de drogas podem ser consideradas: a disponibilidade dessas substâncias, a imagem ou as idéias que as pessoas fazem a respeito das drogas, as características de personalidade, o uso de substâncias por familiares ou amigos e assim por diante.

Muito além de um problema “médico” ou “um caso de polícia”, os problemas relacionados ao consumo excessivo de álcool e ao uso de tabaco e outras drogas são questões que abrangem toda a sociedade.

Referências:

Curso de prevenção do uso de drogas para educadores de escolas  públicas. Secretaria Nacional Antidrogas, Ministério da Educação; Brasília, 2008.

Organização Mundial de Saúde. Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID-10. Porto Alegre: Editora Artes Medicas Sul, 1993.


* Sanches, L. R. Professora/Pedagoga – setembro/2009.
Publicado em:  on 20 ,setembro, 2009 at 8:54 pm Deixe um comentário
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As demandas emergentes de prevenção nas escolas, famílias e comunidades

É de suma importância e de colaboração imprescindível na prevenção as ações esclarecedoras e de acesso a informações nas suas diversas formas de expressão. Seja através da abertura que a Equipe Diretiva oportuniza a grupos externos e palestrantes que abordam este tema e tantos outros que venham de encontro com a necessidade e o interesse dos alunos, seja no cumprimento do currículo emergente, na participação daqueles que assistem as apresentações do grupo de teatro da escola, ou daqueles que atuam no próprio grupo. Desde que a análise e a aprovação da Equipe Pedagógica junto com a Equipe Diretiva estejam de acordo no sentido de que estas ações educativas sejam proveitosas e significativas, com planejamento prévio e organização para o momento propício de ser executado na escola.

Portanto, a prevenção envolve vários setores de nossa sociedade, incluindo nossas escolas, a família, as comunidades composto em um ambiente de reflexão e de formação de consciência, porque não é uma e, nem pode ser considerada uma atribuição de um único setor, é sim uma promoção e mobilização de redes sociais, onde todos alimentam uma postura de prevenção que atendam as reais necessidades e não tão somente um jogo de interesses.

Deve também ser dentro de uma perspectiva fundamentada por uma abordagem comunitária com enfoque construtivista de educação para a saúde que visualiza o indivíduo integralmente, e, fazendo o enfrentamento da prevenção reconhecendo as várias dimensões existententes.

As demandas emergentes podem envolver como primeira etapa, ou seja, em curto prazo, o atendimento o acolhimento em todos os sentidos por todos os setores que irão compor a rede de relações. Na seqüência, mobilizar a Rede de Proteção e resgatar a competência das Famílias com reuniões multifamiliares, coordenadas por vários profissionais envolvidos no trabalho. Depois consultas familiares, avaliação psicopedagógica. O registro de relatórios individuais sobre as Situações de Risco e de Proteção. Com todo este embasamento, em médio prazo poderá ser trabalhado com a construção de um Projeto de Vida onde todos exercerão a autoridade sem violência.

Na continuidade, levando em conta o que foi produzido até aqui, tanto dos adolescentes como das famílias, e aos poucos, dar continuidade de expressarem suas demandas, compartilhando seus sentimentos e construírem juntos soluções cabíveis. Isto poderá ocorrer através de oficinas temáticas para adolescentes promovendo informações e reflexões sobre o Projeto de Vida. Então, em longo prazo, poderão já ser oportunizados os grupos de pais, que irão trabalhar com informações e reflexões sobre o Projeto de Vida dos seus filhos e também dos pais e da família como um todo.

Isto tudo, com o apoio desta rede de relações criada a partir do perfil da escola e sua respectiva comunidade e atendendo a cultura local e regional, e com o envolvimento dos respectivos órgãos e setores que forem elencados para a concretização desta demanda.

Referências:

Curso de prevenção do uso de drogas para educadores de escolas  públicas. Secretaria Nacional Antidrogas, Ministério da Educação; Brasília, 2008.


* Sanches, L. R. Professora/Pedagoga – setembro/2009.

A escola como espaço de transformações individuais e sociais

Vivendo na Era do Conhecimento, que é informação em ação, em uso. É preciso lembrar que o cérebro memoriza informações que têm utilidade, forte carga emocional ou por repetições quando planejar e organizamos os trabalhos com os alunos (Tiba, 2005).

Diante da pós-modernidade seria impossível processar todas as informações que apreendemos, tanto nós educadores, quanto mais nossos alunos. Mas num “piscar de olhos” percebe-se o mundo ao nosso redor, como número de informações apreendidas infinitas.

O apreender é um processo natural. Estudar é organizar esse aprendizado, focando em conteúdos que se associam captando as informações que podem estar descritas em um livro ou numa explanação do professor ou mesmo em atividades diversificadas em outros espaços ricos em incentivar o desenvolvimento das competências do indivíduo. E, desta forma, poderá ampliar conhecimentos e leitura de mundo, das pessoas e das coisas.

A escola tem, dentro da sua autonomia possível, como criar ambientes favoráveis a promoção da saúde de todos, a partir do momento que propicia a transformação individual e social, ampliando sua função de ensinar, adquirindo uma função social. Mostrando através de suas ações socioeducativas a qualidade de vida que cada um pode ter e de poder construir, como também de se garanti-la a todos.

O educador em sua função de mediador e em suas reflexões precisa utilizar os conhecimentos adquiridos para a elaboração de estratégias da promoção da saúde e do bem-estar de toda a comunidade interna e, conseqüentemente, externa. As buscas do bem-estar ocasionaram processos de produção e criação de conhecimentos que alimenta a cultura de uma escola, como a da região onde se situa esta escola e, projeta-se na sociedade que se vive.

O processo educacional tanto se desdobra em dimensões de transmissão da cultura e o conhecimento quanto de despertar as potencialidades, reflexões e críticas acerca da realidade e das possibilidades de alteração, que acabam por modificar, mobilizar, sensibilizar os usos, mores e costumes de um povo, bem como a sua cultura.

Dentro das características de uma escola além de distinções previstas na lei, desde o quadro de giz até o torno e o em torno existente na comunidade podem ser recursos importantes, significantes como opções didáticas para o fazer pedagógico.

O educador deve saber que pelo levantamento do perfil da turma, em um primeiro plano, em curto prazo atinge seu objetivo com a turma, na seqüência, levanta o perfil da escola, num segundo plano, em médio prazo, articula a continuidade do trabalho que já vem realizando com a turma e agora com a escola. Depois, em um levantamento do perfil da comunidade, em longo prazo, cumpre um trajeto, no processo de construção do conhecimento quem vem das partes para o todo.

Assim, enriquece ainda mais seu trabalho, enquanto educador, sendo capaz de reconhecer, procurar e receber a colaboração de todos os envolvidos no processo de educação.

A escola na visão de alguns estudos pode ser um mecanismo de controle social, estabilidade do sistema capitalista, que precisa pensar e repensar o pensado, no que se refere a que indivíduo se pretender formar, críticos, ativos, cidadãos planetários na sua forma de organizar para disciplinar e fazê-los pensar ou se tornarem alienados? Que têm consciência de seus direitos, porém refletidos seriamente em seus deveres, responsabilidades e compromissos individuais e coletivos. Isto depende do que norteia o “barco que navega” e se os envolvidos levam o “leme” com firmeza, conhecimento e afeto.

Com a visão de conjunto que educadores têm sobre o que se transmite aos alunos, sustentando o fazer pedagógico em alternativas de ensino e aprendizagem inovadoras e criativas se amplia os entendimentos e as possibilidades de realizações.

Por isto, é importante que o educador no viver e convier com os desafios precisa administrar com criatividade e prontidão as incertezas do cotidiano. Pois como se lida com pessoas, coma vida, tudo ao mesmo tempo, é dinâmico e complexo, porém sempre novo, a cada dia. Assim, como a oportunidade que o Creador nos dá a cada dia quando amanhece junto com um novo dia a oportunidade justa de fazermos algo diferente, de continuarmos na construção da educação.

O professor como mediador na escola é peça imprescindível da teia de relações que é tecida a cada instante do cotidiano no processo de comunicação potencializando e desenvolvendo pessoas. Comunicar é expressar desde o jeito que o educador se encaminha para a escola, para a sala de aula que irá atuar, de como entra, como olha para os alunos, até como irá trabalhar determinado conteúdo e como irá administrar o emergente e o predisponente a cada turma, e toda a complexidade de relações que se dá no ambiente educativo.

As relações sociais no contexto escolar precisam se pensadas e refletidas na forma que ocorrem, dando origem a vários tipos de relações, se são amistosas, íntimas, de dominação de conflito, e tantas outras que o espaço educacional proporciona, como também se as ações são de paz ou de violência, de saúde ou de doenças, de poder ou de autonomia. E, os educadores, se são e estão capazes de estimular novas condições de aprendizagem, é um repensar do pensado, que deveria estar presente em nossas reflexões.

O educador, ao desempenhar seu compromisso com a educação precisa perceber seu papel na qualidade e na promoção do sucesso e da felicidade, primeiramente sua e conseqüentemente de toda a escola. Buscando a transformação das informações em reais conhecimentos e tornando-os úteis, com uso e função efetivos na resolução dos desafios do cotidiano, para desencadeie processos cognitivos e afetivos no desenvolvimento do ser humano, seja ele educando ou educador.

É assim que acontece! O processo de educação é intenso e dinâmico! Por isto, é preciso estar preparado. E estar preparado é estar em prontidão, com amor, muito amor, respeito, tolerância, ética, esperança e determinação. Não nascemos pronto! Nascemos para nos construirmos a cada instante de nossas vidas!

Referências:

Curso de prevenção do uso de drogas para educadores de escolas  públicas. Secretaria Nacional Antidrogas, Ministério da Educação; Brasília, 2008.

TIBA, I. Adolescentes: quem ama, educa! – São Paulo: Integrare Editora, 2005.

* Sanches, L. R. Professora/Pedagoga – setembro/2009.

Que imagem você tem do adolescente? Drogas, família, escola e sociedade.*

Pensando na imagem que temos ou fazemos do adolescente e, que principalmente, muitas vezes não corresponde à realidade, percebemos que pouco ainda sabemos. Apesar de estarmos bem próximos deles todos os dias, sem casa, por serem filhos, sobrinhos, seja no ambiente de trabalho, como alunos, sejam em grupos de lazer; olhamos a nossa volta e vemos adolescentes por toda  a parte.

Talvez, em um primeiro olhar, já vai julgando-os pela forma como conversam, com gírias, as roupas que vestem, como se comportam, etc. E, esquecemos de nos permitir conhecê-los na sua plenitude da adolescência. Afinal, enquanto adolescentes, jovens, neles tudo estão fervilhando, cores, formas, sejam pelos hormônios, seja pela diversidade que vêem o mundo a sua volta em meio a tantas mudanças e tecnologias; ou seja, pura e simplesmente pela vontade enorme e profunda de mudar, inovar, chocar, experimentar, tocar e sentir tudo que o rodeia! Já fomos assim! Uns menos, outros mais!

Porém, todos passam pela fase que separa a criança dependente afetiva da família que só se relaciona com pares da escola escolhida pelos pais do adolescente, em questão, que tem mais mobilidade no espaço social, compartilha seu tempo maior parte com outros adolescentes do que com a família, faz escolhas e identificações sociais sem interferência direta da família. Esquecemos que são indivíduos em formando, se construindo a cada instante e que precisa da nossa confiança para mostrar seu potencial, sua criatividade.

Depois fiquei pensando se: “É possível uma sociedade sem drogas? E uma escola sem drogas?”

Já que precisamos conhecer mais profundamente o objeto de trabalho enquanto educadores em uma sociedade tão inundada pela cultura do comodismo, do imediatismo e do consumismo. Que nos faz tão egoístas, tão “cegos” de nossas reais funções na educação!

Em nossa língua, o termo adolescência possui duas características distintas: amadurecer (crescer, desabrochar) e adoecer. É preciso refletir se nossas ações na escola e na vida que irão ter ecos na sociedade que vivemos, estão colaborando para fazer este adolescente crescer e desabrochar para a vida ou para adoecer em meio à crise psicossocial atravessada neste período. A puberdade, característica do amadurecimento do adolescente, pode ser compreendida como um fato natural que, ao longo da história da humanidade, se apresenta como um processo proveniente de transformações culturais.

A adolescência, além de fazer parte de uma construção histórica e de uma produção cultural, também expressa às formas singulares com que cada pessoa é, vive e sente a transição da infância para a vida adulta.

O adolescente neste processo natural passa pela reconstrução da auto-imagem e senso de identidades, através das transformações fisiológicas, que compõem o evento do desenvolvimento biológico para reprodução sexual. O primeiro evento da puberdade é o sinal químico emitido pela hipófise para ativar a produção de hormônios de crescimento e hormônios gonadotróficos, responsáveis pelo desenvolvimento sexual primário.

Portanto, em um determinado dia, o adolescente irá se olhar no espelho e não se reconhecerá na imagem refletida. E, psicologicamente, se explica porque a imagem construída ao longo da infância entra em choque como o novo corpo, causando uma sensação de estranheza, como também, muitas vezes de desconforto.

Na maioria das vezes, não só esquisitice, mal-estar, por causa da inadequação entre as características físicas assumidas pelo corpo e os padrões estéticos reconhecidos na cultura ou impostos pela mídia e pela sociedade em geral. Isto interfere na sua auto-imagem e na sua auto-estima. É parte deste processo a aceitação do novo corpo e sua incorporação à auto-imagem, de forma integrada e sistêmica.

A droga é retrógrada. Quem a usa sente um prazer momentâneo. Por isto, quem usa diz que é bom. Mas no geral, vai perceber que é prejudicial à vida, que não é bom e muito, mesmo sendo prazeroso. Um prazer que é muito pouco pelo que ocasiona. E quando o jovem começa a se interessar pelo assunto só vê as notícias favoráveis, como por exemplo: Holanda libera venda de maconha nas farmácias.

Se você conversar com os adolescentes eles irão lhe dizer: “Viu só a Holanda liberou, então não é tão ruim assim. Até nas farmácias estão vendendo!”

Quantos comerciais de bebidas alcoólicas fazem marketing em cima do produto como se fossem refrigerantes. E não conseguem pensar, refletir sobre esta criação exacerbada de conceitos. Se em cada notícia ou comercial se exigisse, através de uma lei, que em seguida se mostrassem seus efeitos, como acidentes, vítimas, não estaríamos fazendo um tipo de prevenção.

O ser humano associa muito do que aprende através da imagem, o adolescente mais ainda. No momento em que vivemos tudo é imagem! Seria uma forma de ao lembrar de tal notícia ou anúncio, lembrasse também das consequências.

Então, penso que pais, educadores, escola e sociedade precisam ser quem realmente ajuda o adolescente, principalmente quando se trata das drogas. É uma combinação de atitudes, de exemplos dos pais, dos professores baseados em princípios de educação, moral e ética, com coerência e constância que podem fortalecer. E, lembrando Tiba (2005), através do costume na prevenção sem sermos chatos, de termos coragem sem ser temerários, de sermos mais resistentes às frustrações, de sermos mais progressivos do que retrógrados, de resguardar o que é bom sem ser tediante, de ter mais que tudo a natural alegria de viver…

Pois os jovens querem sentir o prazer, não o vício, só que acabam por ficarem viciados em sentir prazer! E isto vai gerar sempre a repetição de se querer mais e mais, sempre mais.

Separar-se dos pais, é uma separação simbólica e não física. Na ansiedade pela independência o adolescente precisa compreender e internalizar que pode pensar diferente de sua família, rever suas visões de mundo, considerar outras opções de futuro desde que seja tudo com responsabilidade, clareza de que seus atos terão consequências que ele precisará administrar. E que para tudo isto precisará se autoconhecer, percebendo seus limites e suas potencialidades para fazer, aprender, conviver e ser na vida. Assumir seus posicionamentos, seus desejos, seus projetos, ainda que estejam além do que os pais originalmente projetaram para ele um dia, mas para que ao longo da construção de sua vida se torne concreto e digno fortalecendo sua personalidade.

Caso contrário, tudo isto fica só no imaginário, no faz-de-conta, o que acaba por trazer um prazer que é efêmero e líquido, provisório, não registra sentimentos, convivências, não faz aprendizado nas relações com as pessoas, o mundo e as coisas, não faz superação de desafios vividos, não faz a reconstrução da imagem e da identidade, não faz consciência cidadã planetária!

E difícil? Muito! Mas de grão em grão podemos fazer uma “praia” juntos podemos!

Referências:

Curso de prevenção do uso de drogas para educadores de escolas públicas. Secretaria Nacional Antidrogas, Ministério da Educação; Brasília, 2008.

TIBA, I. Adolescentes: quem ama, educa! – São Paulo: Integrare Editora, 2005.

* Sanches, L. R. professora/pedagoga – agosto/2009.
Publicado em:  on 25 ,agosto, 2009 at 12:32 am Deixe um comentário
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Artes, Criatividade e Sensibildade: Refletindo para uma Educação Ecológica e Sustentável*

Dentro de uma visão eco-pedagógica apresentada no livro Alfabetização ecológica: a educação das crianças para um mundo sustentável” que tem a organização de Fritjof Capra e outros, pode-se tomar conhecimento de trabalhos realizados em algumas partes do nosso planeta com comunidades, famílias, pessoas para transformar a educação.

E, para refletirmos, Capra (2006), cita que:

“(…) é preciso aprender com as sociedades que se sustentaram durante séculos, moldar sociedades humanas de acordo com os ecossistemas naturais, que são comunidades sustentáveis de plantas, animais e microorganismos. Uma vez que a característica mais proeminente da biosfera é a sua capacidade inerente de sustentar a vida, uma comunidade humana sustentável terá que ser planejada de maneira tal que seu estilo de vida, tecnologia e instituições sociais respeitem, apóiem e cooperem com a capacidade inerente da natureza de manter a vida. (…).”

Para isto o ser humano precisa ter um conhecimento pormenorizado de como a natureza e suas ações sustentam a teia da vida e, de como estes ecossistemas podem se organizar.

Segundo Capra (2006), ele questiona:

“(…) se organizam para sustentar processos vitais básicos através de bilhões de anos de evolução? Como os ecossistemas podem prosperar com uma abundância de energia e sem desperdício? Como a natureza manufatura superfícies – como as conchas dos moluscos – que são mais duras do que a cerâmica produzida pela nossa alta tecnologia, e fios de seda – fiados pelas aranhas – que são cinco vezes mais resistentes do que o aço? (…).”

Alfabetização ecológica é o que se faz necessário para alterar o nosso pensar, fazer saber e ser, pois sustentável deve ser a ação efetiva de responsabilidade- individual e coletiva – com a parte e o todo em que vivemos, convivemos, experienciamos. Neste local chamado planeta Terra, utilizamos o que herdamos quando aqui chegamos e não nos importamos com “o quê” e com “o como” iremos deixar para as gerações futuras, nossos parentes planetários.

Ou como cita Capra (2006), sustentável é “capaz de satisfazer as suas necessidades e aspirações sem diminuir as oportunidades das gerações futuras”.

Uma das autoras que compartilha esta obra Pamela Michael, comenta que integrar ao currículo a ciência juntamente com arte, além de trazer um sentido pedagógico pode trazer sensibilidade ao individuo, assim como uma nova leitura de mundo, a partir da “[...] curiosidade e a admiração, aumentado a sensibilidade sua relação à natureza, assim como a sua expressividade ao reagir ao meio ambiente. [...].” (Capra, 2006).

Como também pode ser bem recebida por professores, especialmente por quem está trabalhando com os princípios da ecologia. Uma vez ambas as disciplinas baseiam-se na observação, no reconhecimento de padrões, na solução de problemas, na experimentação e no modo de pensar. Pois, tanto os artistas quanto os cientistas observam, registram, imaginam e criam.

Segundo Michael (2006), “desde o século e início do século XIX e início do século XX em estudos aprofundados foram encontrados textos de história natural transbordavam de arte, poesia, canto e até mesmo pitadas de espiritualidade. Nestes textos também foram constatados um amor e um respeito pela natureza e pela beleza”.

Assim se esperar que através da educação ambiental reconhecer o papel crucial das emoções no processo de aprendizagem, as atividades que tanto informam a mente quanto envolvem o coração, provando ser uma combinação poderosa e eficaz. Como também seria importante que as pessoas entendam que se faz necessário proteger aquilo que amam, não tão para preservação, mas por afinidade, afinidade de se apaixonar pelo planeta Terra.

A educação em busca de uma vida sustentável pode ser uma pedagogia que traz a possibilidade de entendimento através da práxis embasada nos princípios da ecologia, conseqüentemente, sensibilizar os indivíduos para um profundo respeito a natureza viva dentro uma abordagem transdisciplinar que se expressa no ensino e aprendizagem que considera a experiência e a participação na construção do edifício lógico e axiológico de cada espaço educacional e de seus cidadãos planetários.

Referência:

Capra, Fritjof e outros. Alfabetização ecológica: a educação das crianças para um mundo sustentável. tradução Carmen Fischer. – São Paulo: Cultrix, 2006.

* Sanches, L. R. professora/pedagoga – agosto/2009.
Publicado em:  on 6 ,agosto, 2009 at 3:15 am Deixe um comentário

A Informática na Educação

Segundo GRYZYBOWSKI (1986) apud in BIANCONI (2008), a educação é, antes de tudo, desenvolvimento de potencialidades e a apropriação do “saber social” (conjunto de conhecimentos e habilidades, atitudes e valores que são produzidos pelas classes, em uma situação histórica dada de relações para dar conta de seus interesses e necessidades). Trata-se de buscar, na educação, conhecimentos e habilidades que permitam uma melhor compreensão da realidade e envolva a capacidade de fazer valer os próprios interesses econômicos, políticos e culturais.

Ao se colocar diante desta realidade existencialista, olha-se um mundo totalmente globalizado, sendo levado para um liberalismo exacerbado, portanto, tem-se que suscitar o senso crítico que a educação proporciona, e levar os educandos a interagir na sociedade, buscando usar a educação para a libertação e conseqüente participação igualitária no mundo globalizado.

A informática está entrando na educação pela necessidade de se transpor às fronteiras do educar convencional, pois tudo que se modernizou na educação até o advento da informática se tornou convencional, frente a esta nova forma pedagógica de educação, oportunizando as escolas uma renovação de trabalhar os conteúdos programáticos, propiciando ao educando, eficiência na construção do conhecimento, convertendo a aula num espaço real de interação, de troca de resultados, adaptando os dados à realidade do educando. Esta forma de aprender a relação com mundo novo que se apresenta permite perceber que a forma e o conteúdo do desenvolvimento não se tornam arbitrária, onde os processos educativos se constituam na construção orgânica, par e passo com a construção da própria sociedade.

Segundo GRAMSCI (1978 p.13): “o fato de que uma multidão de homens seja conduzida a pensar coerentemente e de maneira unitária a realidade presente é um fato filosófico, bem mais importante e original do que a descoberta por parte de um gênio filosófico, de uma verdade que permanece como patrimônio de pequenos grupos de intelectuais”. À educação cabe hoje o papel norteador, para superação das crises do trabalho, transitando do homo studioso para homo universalis.

O computador na escola, uma máquina de evolução e revolução tecnológica abrangente, fato de uma socialização emergente de uma nova sociedade, formador dos princípios alocados no interior da construção do conhecimento, como um todo reflexivo da afetividade social. Já não se discute mais se as escolas devem ou não utilizar computadores, pois a informática é uma inapelável realidade na vida social, ignorar esta nova tecnologia é fadar-se ao ostracismo.

A questão atual é: como utilizar a informática de forma mais proveitosa e educativa possível. A este questionamento se assenta alguma diretriz essencial para o desenvolvimento do processo em questão. A primeira diretriz é: a superação do preconceito que ainda persiste em relação à máquina como processo educativo, a segunda é: elaborar o rol das principais necessidades pedagógicas na sala de aula; o que poderá ser resolvido com a ajuda de um especialista, e o computador terá como auxiliar no processo de ensino e aprendizagem.

Computadores nada mais são do que solucionadores de problemas, porém sozinhos, não fazem nada, e só se tornam com mil e uma utilidades quando com a ajuda de um bom professor, contudo se faz necessário lembrar que o computador é o meio não o fim.

A introdução do computador no ambiente escolar é hoje uma necessidade para o crescimento de uma nova pedagogia inovadora, assentada na susceptibilidade de educadores propensos a didáticas renovadas.

Ninguém precisa sair correndo atrás de um curso de informática só porque o computador chegou na escola, o primeiro contato deve ser feito com cuidado, para que se crie um bom relacionamento, oportunizando familiarizar-se com esta nova tecnologia, pois nem todos os professores se sentem à vontade para entrar num laboratório de informática sem um mínimo de conhecimento. Não podemos esquecer que a iniciativa deve ser do professor na opção pelo uso, de acordo com seu interesse e necessidade, nunca através da obrigatoriedade; o domínio da máquina e dos programas deve acontecer par e passo.

Quando se depara com uma tecnologia tão avançada, somos levados e tentados a forçar uma nova realidade, mas é fundamental que partamos do princípio de que o novo deve ser empregado exclusivamente para facilitar, reforçar ou motivar o estudo das disciplinas curriculares, para depois com conhecimento de causa passar a selecionar programas didáticos e criar programas pedagógicos baseados nas experiências pedagógicas.

Colocar-se como educador deste processo informatizado é conscientizar-se da importância do seu papel, sabedor de que não é ele quem deve indicar o que é próprio de cada educando, mas sim estar constantemente atento para o desvelamento de poder-ser próprio de cada um, levando em conta que cada tecnologia modifica algumas dimensões de nossa inter-relação com o mundo, da percepção da realidade, a interação com o tempo e o espaço.

Partindo deste pressuposto, fica difícil conceber uma atuação docente com boa qualidade se o educador não caminhar em direção ao desenvolvimento, reconhecendo a necessidade de se colocar dentro do seu tempo. Ao se apropriar deste conhecimento tecnológico, se defronta com uma democratização do acesso a educação, buscando na máxima “para aprender é preciso agir intelectualmente sobre a informação”, isto dará ao educador aprendiz uma nova concepção na construção de seu conhecimento, lembrando que tecnologia computadorizada não se resume em mouses, teclados, cpus e software, mas sim em saber emprega-los numa realidade pedagógica existencial.

O educando é antes de tudo o fim, para quem se aplica o desenvolvimento das práticas educativas, levando-o a se inteirar e construir seu conhecimento, através da interatividade com o ambiente de aprendizado. É o educando participante ativo neste processo de aprendizagem, interagindo e tendo um senso de posse dos objetivos do aprendizado.

 

REFERÊNCIAS
BIANCONI, A. D. Informática Educativa – Razões e Objetivos NTE e suas Funções – Primeiro Momento. Artigo Científico. Disponível em http://edutec.net. Acessado em 29/11/08.
GRAMSCI, A. Obras Escolhidas. Tradução Manuel Cruz. São Paulo: Martins Fontes, 1978.
MORAES, M. C. de. O paradigma educacional emergente. Campinas, SP: Papirus, 1997.
Publicado em:  on 21 ,junho, 2009 at 5:02 pm Comentários (1)

A Escola e a Internet como Instrumento Educativo

Fico refletindo sobre a função social da escola frente aos avanços tecnológicos, principalmente a internet… Sem ela não poderíamos estar fazendo esta relação, com estes diálogos, cada um no seu espaço individual, tendo acesso onde quer que se esteja, visualizando, pensando e participando de tantas informações que podem ou não se tornar conhecimentos para a vida.
Hoje a internet é a principal fonte de conhecimento, mas não se deve confundir informação com conhecimento, principalmente no ambiente escolar, pois a internet, como uma das mídias contemporâneas mais fantásticas que oportuniza o acesso à informação. Prática esta que muitas vezes o pedagogo precisa no seu trabalho com o corpo docente, estimulá-los a experienciar esta ferramenta e até mesmo, se oportunizar na relação com seus alunos, fazer trocas de ensino e aprendizagens.
Pois, hoje os alunos têm mais tempo, maior facilidade e habilidades, que em meio à correria da vida diária e dos diversos trabalhos burocráticos que se precisam cumprir, nós (professores, pedagogos e até mesmo os pais) do outro lado não temos tempo para dominar este instrumento.
Porém, enquanto educadores deve-se lembrar que é preciso transformar a informação em conhecimento, mas isto exige alguns critérios de escolhas, seleção e, principalmente, de saber que o conhecimento não é cumulativo, mas é seletivo. E para quem não sabe para onde vai, qualquer prática, qualquer caminho serve…
As informações neste “mar cibernético” são milhares de milhares, tornando os indivíduos ansiosos, sufocados, quer ler tudo, saber de tudo, ficar horas e horas, até madrugadas afora e, daqui a pouco quando se pisca os olhos, tudo já se atualizou!
Na educação, na escola, na sua função social, não se pode naufragar. É como se não conseguisse fazer o uso funcional de nossa mente, como citou Zaballa (1998), “que a atividade mental se desenvolve quando aplicada ao uso funcional em outras ocasiões que seja necessário”. Sabe-se datas, nomes de vultos históricos, fases históricas da humanidade, mas é quase impossível guardar informações atualizadas.
Em meio a tudo isto, a relatos que emocionam, situações que inquietam, parece desaparecer de nossas lembranças antes mesmo de que se possa compreender, entender.
Portanto, a escola enquanto espaço de incentivo e valorização precisa envolver os profissionais da educação em um diálogo marcado pela historicidade, aproximando modos de viver o presente, sem preconceito trancar no baú o passado e sem arrogância deixar de significar o futuro.
A prática social no espaço escolar é também um local onde os indivíduos tecem suas relações, é de extrema importância que exista comprometimento, ações que expressem responsabilidade individual e social, atribuições que permitam criar, inovar, descobrir para recriar.
Viver e conviver o novo, é aprender todos os dias com práticas pedagógicas diferenciadas, é não permitir que a cultura do imediatismo, do tudo pronto sufoque a perseverança, o acreditar, o querer e poder fazer. Porque aquele que acha que tudo sabe, é limitado; é refém do que já sabe; é prisioneiro de situações que são inéditas, mas que não se sabe como enfrentar; se obriga apenas a repetir, não se permite experienciar, criar, refazer, redescobrir, modificar, construir “barcos” melhores para navegar com precisão neste mar cibernético que é a internet, uma ferramenta tão rica de possibilidades que exemplifica o cotidiano do indivíduo que é parte integrante e atuante deste planeta globalizado e mundializado chamado Terra.

REFERÊNCIAS:
CORTELLA, M. S. Não nascemos prontos!: Provocações filosóficas. 7.ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
SAVIANI, D. Escola e democracia. Campinas: Autores Associados, 1999.
ZABALA, A. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.

Texto produzido para o GTR/SEED-PR, 2009.

 

A Escola Enquanto Espaço de Incentivo e Valorização de Práticas Pedagógicas Diferenciadas

É de grande importância a formação do homem, e isto se fará através da educação e da sua adaptação no meio em que vive, agindo, experienciando, produzindo e transformando-se, bem como fazendo transformação da natureza a sua volta. É isto que vai construindo os registros na história da humanidade, cada indivíduo faz as representações, comunica-se, faz as significações, enfim como ator e portador da sua cultura fazem a retro-alimentação da cultura do planeta.
E como disse Saviani (1989), “educar é elevar o homem no nível de sua época”.  Conforme este indivíduo nasce, cresce, tem acesso ao conhecimento sistematizado através da escola, fazendo relações com o mundo, com as pessoas e as coisas, ele está acompanhando a sua época, contextualizado com aquele momento. E o melhor, um ser inacabado, sempre em possibilidade de construção.
O indivíduo precisa estar sempre motivado, estimulado, constantemente. Pois a satisfação conclui, encerra, coloca-se um ponto final; não permite margem para a continuidade, para a perseverança, acaba por limitar, colocar dentro de “pacotes” quadrados e fechados.
A práxis pedagógica nos espaços escolares precisa estar freqüentemente estimulando os indivíduos a fazer, a reconhecer o seu poder de fazer, a expressar a sua vontade interior, pois assim, será possível executar, efetivar ações educativas que promovam mudanças.
A educação é algo que não poderá ter limites, cabe ao espaço escolar, ter sistematização, para que a práxis seja organizada, planejada para acontecer, mas também é necessário que se permita abertura para prosseguir, a sensação de daqui a pouco tem mais, e é preciso correr atrás, enfim algo que mobilize o indivíduo sempre!
Afinal de contas os satisfeitos não querem mais! Contentam-se com um pouco, ou a média! E na educação não se pode aceitar se acomodar, pensar que não deu certo tanto tempo, nunca foi assim… A educação para concretizar-se em espaço de incentivo e de valorização é algo dinâmico, vivo, colorido, borbulhando de querer fazer!
Como diz Cortella (2008), “é fundamental não nascermos sabendo; o ser que nasce sabendo não terá novidades, só reiterações”.
Os indivíduos precisam de dose de ambição, não ganância, ambição! Pois o ambicioso é alguém que quer mais e melhor para todos. Enquanto que o ganancioso, é egoísta, quer somente para si próprio.
E como se cita Zaballa (1998), diz “que a atividade mental se desenvolve quando aplicada ao uso funcional em outras ocasiões que seja necessário”. A prática social no espaço escolar é também um local onde estes indivíduos tecem suas relações, é de extrema importância que exista comprometimento, ações que expressem responsabilidade individual e social, atribuições que permitam criar, inovar, descobrir para recriar.
As produções na escola sejam elas, a criação de jornais, rádios, projetos individuais e tantos outros instrumentos se utilizando das novas tecnologias, são formas de diversificar as práticas cotidianas, acompanhando o dinamismo da sociedade em que se vive, assim como, integrar a comunidade escolar, pais alunos, funcionários, professores, a comunidade entorno da escola.
Sendo assim, nesta relação rica, intensa e extensa de diversidade, todos os indivíduos envolvidos direta ou indiretamente poderão vivenciar suas potencialidades, acesso as informações que as novas tecnologias trazem para somar ao conhecimento acadêmico e, contribuir com a formação de indivíduos mais conscientes e participativos.

O foco da educação além de ensinar é de ajudar alunos e professores a compreender áreas específicas do conhecimento (ciências, matemática, história entre outras) é de integrar o ensino a vida, a formação integral para a cidadania, o conhecimento e ética, reflexão e ação, a ter uma visão da totalidade.

E, segundo Masseto (2000), educar é ajudar a integrar todas as dimensões da vida, a encontrar nosso caminho intelectual, emocional, profissional, que nos realize e que contribua para modificar a sociedade que temos.

Assim sendo, a educação vem colaborar para que professores e alunos – nas escolas e nas organizações – transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem. Ajudando alunos a construir suas identidades, desde o pessoal ao profissional, do seu projeto de vida, no desenvolvimento das habilidades de compreensão, emoção e comunicação que irão lhe permitir encontrar espaços pessoais, sociais e profissionais e tornarem-se cidadãos realizados e produtivos.

 E, conseqüentemente se aprende a viver em sociedade através das interações,  percebendo que é por meio da linguagem que cada indivíduo se apropria do conhecimento. Conhecimento que não é fragmentado, mas interdependente, interligado. Pois hoje, a construção do conhecimento é mais livre, acontece a partir do processamento multimídico, convivendo com diversas formas de processamento de informação. Informação esta que após critérios de seleção, estudo e pesquisa, assim como, dependendo da bagagem cultural, da idade e dos objetivos pretendidos, poderá ser transformada em conhecimento.

Para Vygotsky (1988),  ”quanto maior for a capacitação do mediador, maior a formação do sujeito, do aluno”. Então, é preciso que seja de forma sistemática organizada e intencional trabalhar os conteúdos historicamente construídos de maneira a criar, despertar o interesse no aluno.

Para isto, é importante o professor ter gosto pelo que faz ter entusiasmo e saber transmitir isto ao aluno, para que este se sinta motivado em buscar através das variadas formas de mídias associações do conhecimento que está sendo trabalhado e proposto nas disciplinas.

Como, por exemplo, a escola deve intercalar Ciências (conteúdo em si) Filosofia, Artes e Tecnologia, e neste processo, considerar que os indivíduos participantes não são somente razão. Portanto, preparar o aluno para receber, analisar, sintetizar, argumentar e fazer sua interpretação crítica das informações que recebe, além, de se desenvolver e demonstrar seus talentos e habilidades, buscando o desenvolvimento harmonioso do sujeito.

As práticas claras e mantidas pelo coletivo contribuem para a organização do trabalho pedagógico escolar resultando em melhorias significativas na aprendizagem e convivência escolar.

Atualmente ensinar com novas mídias é uma revolução se nós educadores mudarmos simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino que ainda mantêm distantes professores e alunos. Caso contrário só será “mascarada” esta modernidade, sem que consigamos efetivamente incluir no essencial da nossa práxis as mudanças concretas.

Estes novos meios de comunicação ajudam a rever, a ampliar e a modificar muitas das formas de ensinar e de aprender. E isto se faz necessário no âmbito crucial dos principais integrantes do processo de ensino e aprendizagem – alunos e professores – se entendemos que formar integralmente um indivíduo para ser cidadão é oportunizar uma educação com autonomia, confiança, entusiasmo, amadurecimento intelectual e comunicacional que promova pessoas mais humanas, que valorizam a busca por transformar esta gama de informações em conhecimentos, que sejam capazes de refletir e analisar criticamente que a cada novo dia em sala de aula é preciso inovar, criar, descobrir, sentir, aprender e ser.

REFERÊNCIAS:
CORTELLA, M. S. Não nascemos prontos!: Provocações filosóficas. 7.ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
MASSETO, M. T. Novas Tecnologias e mediação pedagógica. – 8.ª ed. Campinas: Papirus, 2000.
SAVIANI, D. Escola e democracia. Campinas: Autores Associados, 1999.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1988.
ZABALA, A. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.

Texto produzido para o GTR/SEED-PR, 2009.

 

Aprendendo a Pensar, Repensar o Pensado*

* Produção Acadêmica

Tendo em mente que o conhecimento não é imposto e sim construído, se deve pensar que hoje o grande desafio da escola é: ensinar a pensar e ensinar o que fazer com o pensado. A escola do século XXI deve ter como objetivo ensinar o aluno a buscar o conhecimento formando assim, um sujeito autônomo e crítico. E permiti-lhe a exploração de sua própria imaginação, do seu raciocínio e da sua capacidade de comunicação, assim como, incentivá-lo a pesquisa científica e a curiosidade.
Saber pensar é uma potencialidade humana e possui relação com a capacidade de aprendizagem. “É a teoria mais prática que existe, ou a prática mais teórica que existe” (DEMO, 2004).
Saber pensar é não ter pressa para enquadrar a realidade, memorizar a fórmula, construir a resenha ou o quadro conceitual.
O primeiro passo para aprender a pensar, curiosamente, é aprender a observar. E o ato de observar precisa estar integrado a práxis para aprender a pensar o que a realidade que nos cerca apresenta de forma dinâmica.
O pensamento exprime a existência dos seres racionais e capazes de conhecimento abstrato e intelectual, e sobre tudo, manifesta a própria capacidade para dar a estes sujeitos leis, normas, regras e princípios para construir o edifício lógico e axiológico de cada um ao longo da vida.
A forma de organização da vida e do espaço é universal permite que a sociedade organize-se em si fazendo aquilo que lhe é adequado. David Hume dizia “que só se pode pensar em algo que tenha chamado a atenção aos nossos sentidos interiores ou exteriores”.
Nesse processo de repensar – refletir o homem amplia os conhecimentos inovando-os. A atitude reflexiva implica no exercício do pensamento. Este pensamento pode ser entendido como a capacidade de se avaliar, processo que se expressa a partir da reflexão crítica. Pensar e repensar é o recurso de que o indivíduo se dispõe para garantir a sobrevivência, e consequentemente, a continuidade da vida enriquecida com mais significados e ressignificações.
Conhecimentos devem ser conquistados pensando-se livremente. Pensar envolve originalidade, concentração e intenção.
Se o que define uma cultura é o conteúdo das redes de conversação que percorrem e a compõem, saber conversar é saber construir um universo cultural, é representação e ampliação dos espaços de liberdade individual e em conseqüência, possibilidades de aprender a conversar.
O diálogo quando internalizado, não apenas reproduz a expressão dos pensamentos dos outros participantes, como também, argumenta na mente dos participantes, com respeito a essas opiniões. Os envolvidos neste processo desenvolvem atitudes, críticas em relação ao que as outras pessoas pensam, e essas atitudes críticas voltam a fazer parte da própria reflexão.
O elemento chave para pensar bem e repensar é a reflexão, é dar uma volta sobre si mesmo.
Contudo, é tempo de repensar todas as informações que são recebidas não importando a fonte. É necessário julgar os dados que são recebidos, analisando sempre os dois lados da situação, nunca deixando o pré-julgamento falar mais alto.
Pensar e repensar o pensado é agregar um universo de pessoas com diferentes opiniões, lideranças, interesses, conflitos e competições, pois o indivíduo que pensa e repensa o pensado se torna um ser crítico, reflexivo, atuante, curioso e se torna pensador de uma sociedade, de um grupo, de uma coletividade.
A realidade é complexa nas suas relações e inter-relações, mas a única forma de aprender o sentido é estar aprendendo as relações que a constituem, e se são dinâmicas, sempre estão se refazendo e se modificando.
Por isso, a importância de que os educadores no exercício do saber fazer construam com os alunos mais esperança para a humanidade em harmonia com a natureza, valorizando tudo e todos em uma união constante da condição humana, respeitando sempre a diversidade existente em qualquer parte do mundo.
Além de aprender a pensar o homem precisa repensar todo o pensado e buscar novas respostas para as incertezas do amanhã.
Talvez hoje a questão mais importante da vida não seja somente responder as perguntas “de onde vim”, “para onde vou”, mas também, a de como se manter vivo gerando sustentabilidade em meio a diversidade e aos desafios.
Portanto, se você realmente quiser ter idéias novas, ser criativo, ser inovador, aprimore primeiro os seus sentidos. Você estará no caminho certo para começar a pensar, consequentemente, para repensar o pensado.

“[...] A gente ta sempre pensando e
Repensando tudo que a gente pensa,tudo que a gente vê, sente e vive.
A gente pensa o que falar e como falar.
A gente ta sempre pensando o que já foi pensado.
A gente pensa.
Pensa de novo.
Passa o dia pensando.
No meio de tanto pensamento de tanta coisa que a gente pensa,
A gente nem vive o momento sem pensar antes.
Eu penso. Tu pensas. Ele pensa. Nós pensamos.”

*Acadêmicos:
Ana Laura e Silva de Souza Nunes
Camila de Souza Bugenski
Corbélia Florilda Coelho
Daniele Benatto
Douglas Laskoski Fonseca
Francieli Aparecida Ferreira
Gabriela Tinai Nihei
Jéssica Milani Mottin
Leticia Rosa
Mariana Canha
Sabrina Cruz de Lima
Silvana Motta da Silva
Thays Joly Affanio
Vanilza de Souza Pereira
Viviane Gonçalves Teixeira Moraes

Produção da disciplina de Educação para a Diversidade – Prof.ª Leila R. Sanches, Curso de Pedagogia – 7.° período – noturno, 2008.  Faculdade Doutor Leocádio José Correia – CTBA/PR.

Publicado em:  on 21 ,abril, 2009 at 7:24 pm Deixe um comentário
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Transdisciplinaridade e Educação*

Refletir sobre a transdisciplinaridade é perceber a necessidade de novas respostas à evolução humana, à construção do conhecimento humano, que produziu o rompimento dos paradigmas anteriores, para se contrapor à fragmentação do saber, à redução cada vez maior do real e do homem, atendendo às novas descobertas da ciência e para re-humanizar e re-espiritualizar o Homem.

O desenvolvimento de uma perspectiva transdisciplinar tem a ver com a perpetuação da espécie, com um salto evolutivo no aprender, a saber, fazer com ciência e com consciência, transcender o todo, envolvido com a dialogicidade e outras formas de conhecimento e de visões do real, buscando a complementaridade. E o que se torna imprescindível no atuar transdisciplinarmente, motivação e disponibilidade, o desafio da convivência com a diversidade, capaz de não somente fragmentar, classificar, dividir em partes, mas de fazer significados, de vincular e de restaurar.

É preciso ir além de conceituar, de rotular e pré-conceituar, pois com as mudanças ocorrendo em ritmo acelerado, a espécie humana vive um momento impactante de transição conceitual, de valores e de atitudes, todos sendo convidados ao resgate da consciência da inteireza, do pertencimento. Todos esses avanços tecnológicos, a informática, a contemporaneidade, sendo “molas propulsoras” para que se faça o resgate de uma mente abrangente do ser humano, que revele suas habilidades e competências, seus potenciais para a conscientização da interdependência.

Com a uma consciência transdisciplinar desenvolvida a partir da percepção de interpendência entre os vários planos, quer seja, pessoal, comunitário, social, planetário e cósmico e de que o que ocorre em um plano repercute nos demais, será possível sentir que só é apenas o fio da teia nas infinitas relações que se formam e o real sentido da vida. Para alcançar a unidade planetária na diversidade; respeitando n outro, ao mesmo tempo, a diferença e a identidade quanto a si mesmo; desenvolvendo a ética da solidariedade, a ética da compreensão, indo além, alcançando o possível e o seu próprio ser.

Na visão transdisciplinar considera-se a razão, a sensação, intuição e o sentimento como caminhos que se somam na construção do real. O que sugere um desafio na reflexão à luz da teoria, que por sua vez, é reformulado a cada ação-reflexão-ação, acarretando uma prática sistemática – a práxis – realizando o processo de retroalimentação, que uma vez, conscientizados novamente são refletidos buscando um conhecimento mais abrangente que se reconstrói e assim por diante. Fazendo alcance do seu próprio conhecimento com consciência crítica o homem está fazendo a transdisciplinaridade.

Sendo assim, a aprendizagem encontra a possibilidade de se tornar uma vivência que amplia horizontes e traça, entrelaça vias para a transformação interior, a fim de desenvolver a capacidade de transformação pessoal, o que é fundamental para a transformação social. O exercício da transdisciplinaridade implica em considerar todos os níveis de realidades, que fazem a complementaridade, fazendo a significação de uma ampliação do universo de estudo, pesquisa e ação do indivíduo e daqueles que estão a sua volta.

Contudo, o indivíduo tem o sentimento ainda mais aguçado de que nada se faz e se constrói sozinho. A transdisciplinaridade vem revelar o que há muito se integra a vida humana e suas relações, desde o momento em que o ser humano é gerado ele precisa de mais de uma pessoa para que isto se concretize, para nascer, crescer, se desenvolver, conviver, aprender, fazer, saber, sentir, ser, até mesmo no momento de morrer, jamais está só. Tudo é feito em equipe, com espírito de equipe, com participação, atuação, colaboração, cooperação, integração, interação.

E, mesmo assim, preciso de muito, para perceber que somente o jogo combinatório, a rede de realações e a diversidade o enriquecem e o dignificam diante do compromisso de estar vivendo e sendo o que realmente é, nem mais, nem menos, somente o que pode ser, e é.
A transdisciplinaridade pode ser vista como um caleidoscópio, que é um instrumento ótico formado por um tubo de cartão ou de metal, com pequenos fragmentos de vidros coloridos que se refletem em pequenos espelhos inclinados. É utilizado para exercícios mentais, desenvolve a capacidade de visualização, percepção, memorização, fazendo o exercício do globo ocular.

O caleidoscópio entre as suas diversas formas e cores, nos dá a cada movimento, uma visão multidimendisional a cada foco que se direciona. Então, pode-se dizer que cada componente representa o conhecimento transitando neste foco, fazendo superação, pois as partes representam o todo e o todo representa as partes, compondo uma visão sistêmica e a significação que cada parte tem em relação ao todo.

O educador adquirindo essa visão transdisciplinar fará a superação dos paradigmas tradicionais, conduzindo o educando a se sentir motivado e a visualizar o processo educativo, formando rede através dos vasos comunicantes que são os diversos pontos de vista, visões ampliadas, sobre os saberes necessários para a formação da vida cidadã.

Assim sendo, ambos, educador e educando, se conscientizam que a transdisciplinaridade se faz num movimento circular em espiral ascendente superando o conhecimento formal promovendo uma educação integral e eslética.

O que fica desta reflexão é a certeza de que se tem a oportunidade todos os dias para se autoconstruir e sempre será necessário buscar, aprender, trocar idéias, pois a transdisciplinaridade é como uma nova janela que se abre para novos horizontes, assim é preciso fazer entendimentos e, servir para se olhar o passado, analisar os caminhos já percorridos, estruturando o aprendido e revendo o todo, mas principalmente, olhar o futuro e ser melhor em todos os sentidos das relações e da evolução humanas a cada dia.
E assim, é essencial ser mais aberto a tudo e a todos, respeitando a pluralidade, as individualidades, as singularidades de cada ser humano, as sociedades, as culturas, as nações, as religiões, enfim respeitando a verdade, a realidade, sendo e agindo de forma transdisciplinar.

Como também é importante lembrar que a grande preocupação da transdisciplinaridade é a manutenção da vida no planeta e conseqüentemente a sobrevivência de nossa espécie, mas levando em conta os patamares de relações, fazer a transcendência, estruturar e construir um novo e efetivo humanismo é tarefa primordial.

*SANCHES, L. R.  Texto produzido no  curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Formação Pedagógica do Docente de Nível Superior. FACULDADE DOUTOR LEOCÁDIO JOSÉ CORREIA – CTBA/PR.

Publicado em:  on 2 ,janeiro, 2009 at 10:10 pm Deixe um comentário

Reflexões Sobre o Conhecimento e a Educação*

Para Maturana e Varela o mundo não é anterior à nossa experiência. Nossa trajetória de vida nos faz construir conhecimento do mundo – mas este também constrói seu próprio conhecimento a nosso respeito.Mesmo que imediato não o percebamos, somos sempre influenciados e modificados pelo que vemos e sentimos. Quando damos um passeio pela praia, por exemplo, ao fim do trajeto estaremos diferentes do que estávamos antes. Por sua vez, a praia também nos percebe. Estará diferente depois da nossa passagem: terá registrado nossas pegadas na areia – ou terá de lidar também com o lixo com o qual porventura a tenhamos poluído. (2001, p. 10)
Algo muitíssimo importante que talvez não tenha como se registrar são nas impressões, as energias, impregnadas por onde quer que se tenha passado,. Isto, com certeza, vai alterar a dinâmica daquele espaço vivo que se passa, que se vive, que se sente, enfim, a vida sendo a cada instante. E é isso que alimenta nossos pensamentos, atitudes, comportamento, construindo a forma como se vê o mundo, as pessoas e as coisas, direcionando o aprender a fazer, aprender a conviver, aprender a aprender e principalmente o aprender a ser.

A responsabilidade além de individual é também coletiva, social, uma vez que se vive, que se verticaliza uma consciência plena de co-autoria com os próprios genes, com a natureza, com o Planeta, onde continuamente o ser humano está participando, colaborando, trabalhando, fazendo, criando, observando. Talvez, por não querer perceber, o ser humano viva o caos da insatisfação consegue e com tudo a sua volta, enquanto deveria se preocupar em construir através do seu conhecimento apreendido uma qualidade de vida para evoluir, se adaptar e ser feliz.

Em todas as sociedades a cultura se impõe aos indivíduos. O feto sofre influências culturais na vida intrauterina (alimentação, sons, músicas), e desde o nascimento o indivíduo começa a receber a herança cultural que garante a sua formação e desenvolvimento como ser social;   ele sofre a influência de tabus, regras (que se inscrevem no tecido cerebral por meio da estabilização eletiva de sinapses), e tem fixado a si automatismos sociais que influenciam na sua forma de pensar, de falar, de ser, de agir, de convier, de aprender, de construir.
Em todo indivíduo, a herança cultural se soma à hereditariedade biológica, o que determina estímulos ou inibições que dão forma a essa hereditariedade. Assim, cada cultura, com seu sistema educacional, seu regime alimentar, seus padrões de comportamento, inibe, favorece, estimula, determina a expressão dessa atitude, exerce seus efeitos no funcionamento do cérebro e na formação da mente.  Desse modo, intervém na organização e no controle do conjunto da personalidade.
“A cultura inscreverá no indivíduo o seu imprinting — expressão matricial freqüentemente definitiva, que marca os indivíduos em sua maneira de conhecer e comportar-se desde a infância e se aprofunda por meio da  educação familiar e, a seguir, pela escolar. O imprinting fixa o que está prescrito e o que é interdito, o santificado e o maldito. Implanta crenças, idéias e doutrinas que têm força imperativa de verdade ou evidência. Enraíza nas mentes seus paradigmas, princípios que comandam os esquemas e os modos explicativos, o uso da lógica, as teorias, pensamentos e discursos. O imprinting se faz acompanhar de uma normalização que faz com que se calem todas as dúvidas ou contestações de suas normas, verdades e tabus. Vem daí o caráter aparentemente inexorável dos determinismos intermos à mente” (E. Morin, 2001).

Do mesmo modo, as águas de um rio vão abrindo o seu trajeto por entre os acidentes e as irregularidades do terreno. Mas estes também ajudam a moldar o itinerário, pois nem a correnteza nem a geografia das margens determinam isoladamente o curso fluvial: ele se estrutura de um interativo, o que nos revela com as coisas se determinam e se constroem umas às outras. Por serem assim, a cada momento elas nos surpreendem, revelando-se que aquilo que pensávamos ser repetição sempre foi diferença e o que julgávamos ser monotonia nunca deixou de ser criatividade.
Uma vez, que a diversidade está em nós seres vivos, na natureza, no universo. Nada é igual a cada instante da vida. Portanto, é preciso sempre apreender, incansavelmente aprender! As células do corpo humano se modificam a cada momento que se vive, portanto nada será repetido feito cópia, tudo tem um pouco de “miscigenação”, de criatividade, de humano.
“Tomemos outra metáfora: não são sós os timoneiros que dirigem os navios. O meio ambiente também pilota as embarcações, por meio das correntes marítimas, dos ventos, dos acidentes de percurso, das tempestades e assim por diante. Dessa forma os pilotos guiam, mas também são guiados. Não há velejador experiente que não saiba disso. Portanto, pode-se dizer que construímos o mundo e, ao mesmo tempo, somos construídos por ele. Como em todo esses processo entram sempre outras pessoas e os demais seres vivos, tal construção é necessariamente compartilhada”(2001, p. 11).

Os seres humanos não são só agentes, autores, participantes do processo que é a vida, mas sim, co-agentes, co-autores, co-participantes, colaboradores, compartilhadores, cidadãos planetários. Pois são uma parte do e no todo que realiza trabalho, produz energia, opera execuções e constrói um mundo inacabado e aberto. Quando se pensa assim, tem se a consciência de que tem parcelas e mais parcelas de responsabilidade, afirma-se a coragem e a persistência para continuar e confirmar o compromisso moral e espiritual com o Planeta.
Assim, os seres vivos só poderão estar construindo o conhecimento apoiado na interação efetiva e concreta. Aprendendo a viver e vivendo aprender e se faz pela educação formal.
São duas as vertentes de Maturana e Varela nesta obra, que trata da construção humana do conhecimento:
1.° o conhecimento não se limita ao processamento de informações advindas de um mundo anterior à experiência do observador, a qual se apropria dele para fragmentá-lo e explorá-lo.
2.° os seres vivos são autônomos – autoprodutores – capaz de produzir seus próprios componentes ao interagir com o meio: vivem no conhecimento e conhecem no viver.

É preciso se autoconhecer ao mesmo tempo em que observa o mundo, as pessoas e as coisas em torno de si e para si. Assim, é possível compreender e perceber que entre ser humano e mundo não existe hierarquia nem separação e sim cooperatividade na circularidade. E como ele compreende a experiência do que observa e no que e para que isso ou aquilo pode fundamentar o conhecimento.

A circularidade é ação e experiência, continuamente, infinitamente, uma ação que gera experiência que se assimila, e que irá gerar outra ação, e assim sucessivamente.
Tende-se a viver num mundo de certezas, de solidez perceptiva não contestada, em que as convicções provam que as coisas são somente como se vê e não existe alternativa para aquilo que parece certo. Essa é a situação cotidiana, a condição cultural, o modo habitual dos seres humanos.
Talvez, pelo não tão simples e sim complexo modo de pensar, de refletir que muitas vezes se deixa de lado, porque é mais seguir a onda do que quebrá-la gerando mudança que faz pensar, fazer, aprender, ser. Por isso a importância de um dos aforismos-chave do livro: “Todo fazer é um conhecer e todo conhecer é um fazer” e “tudo o que é dito por alguém.” ( 2001, p. 31 ). Toda a ação de refletir faz emergir um mundo de idéias, portanto a reflexão é um ato humano realizado por alguém em algum lugar.

É claro que o indivíduo humano não pode escapar de sua sorte paradoxal: é uma pequena partícula de vida, um instante efêmero, uma insignificância. Mas contém em si a plenitude da realidade viva: a existência, o ser, os fazeres, os saberes. Assim, ele contém a totalidade da vida e ao mesmo tempo é uma unidade elementar da vida. Contém simultaneamente a plenitude da realidade humana, a consciência, o pensamento, o amor, a amizade e a própria realidade da humanidade — tudo isso sem deixar de ser a unidade elementar da humanidade.

Em todo indivíduo, a herança cultural se mescla à hereditariedade biológica, o que determina estímulos ou inibições que modulam a opressão dessa hereditariedade. Assim, cada cultura, com seu sistema educacional, seu regime alimentar, seus padrões de comportamento, recalca, inibe, favorece, estimula, determina a expressão dessa atitude, exerce seus efeitos no funcionamento do cérebro e na formação da mente.  Desse modo, intervém na organização e no controle do conjunto da personalidade.
Quando se torna relativamente autônoma, a vida cotidiana permite desenvolvimentos pessoais, em especial no que se refere ao amor. A adoração e o culto às divindades se ampliam pela vida privada e se encarnam na pessoa amada. Dessa maneira o complexo do amor se democratiza — ele que inclui o seu tanto de mitologia e religião e torna poéticas as existências individuais.
Por fim, nas democracias os indivíduos se tornam cidadãos para poder gozar de seus direitos. Daí a importância antropológica da democracia, considerando que ela institui possibilidades de  liberdade ou de escravidão humana.
”Os direitos continuam distribuídos de modo desigual, mesmo nas sociedade democráticas altamente complexas. As possibilidades de liberdade  de movimentos, ação, fruições, espírito, também são desigualmente divididas.” (E. Morin, 2001).

O social é um fazer, editar nas relações humanas que precisa se fundamentar no existir de um e do outro, é neste espaço que se construir conhecimento a partir da rede de interações e da diversidade que enriquece o fuir e refluir o amor entre os seres humanos. A responsabilidade de transformar através do conhecimento é de cada um para cada um e para todos!

Referências
MATURANA, H. R. A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. – São Paulo: Palas Athena, 2001.
MORIN, E. Os setes saberes necessários à educação do futuro. – 3.ª ed. – São Paulo: Cortez, 2001.

*SANCHES, L. R.  Texto produzido no  curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Formação Pedagógica do Docente de Nível Superior. FACULDADE DOUTOR LEOCÁDIO JOSÉ CORREIA – CTBA/PR.

O trabalho como princípio educativo

O desafio é que diante de tantos avanços tecnológicos, possa se criar uma escola em que o trabalho expresse a importância real que ocupa na sociedade, que não esteja ausente dos conteúdos, mas que também não seja de forma a adestrar profissionais numa dicotomia entre a práxis e a teoria.

Portanto, os alunos, considerados na sua diversidade em que se apresentam todos os dias, precisariam ser iniciados, primeiramente, na compreensão e entendimento dos fundamentos e das diferentes técnicas que se caracterizam o processo do trabalho, e consequentemente, que saibam avaliar com reflexão crítica os fins e para que se destine o trabalho.
Os conteúdos escolares devem promover o pensar e o repensar o que já foi pensado, pois a escola é uma agência de saberes, de transmissão de idéias, de conhecimento e valores que justifiquem as práticas sociais vigentes para se assimilar os segmentos da apropriação da herança cultural.

A escola deve propiciar um espaço para discussão crítica, exercendo sua função digna, rompendo com formas alienantes. Assim, o educador estará oportunizando o resgate do universo de valores, em um momento marcado pelo progresso exacerbado, pela consumista e imediatista, por uma dimensão do especialismo, onde se fazer necessário formar para o trabalho um sujeito cidadão, capaz de pensar para orientar suas ações no sentido de transformá-la segundo suas necessidades efetivas.

Desta forma, a criatividade poderá acontecer de forma espontânea, desde a organização até a liberdade de expressão, daquilo que não mais inibe, pois se alcançou o sentido do trabalho, então de agora em diante se anima, se valoriza!

Texto produzido par ao GTR/SEED-PR, 2008.

Publicado em:  on 29 ,dezembro, 2008 at 10:53 pm Comentários (1)
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A função social da escola

A função social da escola e qual o papel dos conteúdos escolares na “humanização” dos sujeitos, a partir do mundo do trabalho?

Por conta da correria, do stress, da visão de homem que sem tem hoje, voltado para o consumismo e o imediatismo, muitos estão fazendo de suas formas de trabalho, algo que os faz adoecer emocionalmente, fisicamente, espiritualmente, e que traz sérias conseqüências nas relações com a família, com o trabalho, com o lazer e consigo mesmo, chegando até atingir a sua relação com o planeta e com o Cosmos.

É humanamente desafiador propor ações para que o indivíduo do século XXI realize o que se faz extremamente necessário, uma formação integral, no sentido de compor suas relações de aprendizagem com o aprender a viver, conviver em família, planejar seu lazer, e na busca permanente de uma educação continuada.

A vida é um ciclo, estamos sempre passando por fases, momentos, aprendizagens, ensinamentos. Então, quando chegamos num ponto, estamos ao mesmo tempo partindo de outro. Chegamos para estar, viver, sentir, conviver, aprender, fazer, ser, e partimos carregando conosco os significados, os ensinamentos, tudo o que fomos capazes de construirmos, de semearmos, de cuidarmos.

Levamos conosco o que fomos capazes de colher e partimos em busca de um novo “solo” fértil para espalharmos o que está em nós, em processo de efervescência, pronto para adubar.

A vida é uma passagem ao mesmo tempo em que é breve é intensa, então, precisa ser bem vivida, bem sentida, bem apreendida, bem partilhada para valorizar o ser em cada um de nós!

Tudo isto, nos leva a produzir dentro das nossas necessidades efetivas, e é nos revisistar de conhecimentos, de pensamentos, de ações, de sentimentos, que estamos fazendo papéis de educandos, educáveis e educadores que somos.

Em cada momento, exercemos nossos papéis e funções e deve ser nessas ações, no ir e vir que devemos nos formar continuamente e formar cidadãos que trabalhem por uma sociedade que vê este cidadão na sua forma integrada, de ser com suas potencialidades, habilidades, limites, responsabilidades e transformações.

Texto produzido para o GTR/SEED-PR, 2008.