Educação: Resgatando o Civismo


Por Rene Blanchet

(…) Parece-me que as disciplinas das ciências da Terra podem demonstrar a importância do equilíbrio em nossos sistemas complexos e permitir, portanto, uma melhor apreensão dos fenômenos do meio ambiente, o que leva a abordar problemas de ética.

Creio também que é importante, para a educação do jovem cidadão, mostrar que o trabalho de equipe, a contribuição de um grupo numa reflexão comum e a troca podem ajudar cada um, cada indivíduo, cada jovem. Com a Terra, creio que temos um assunto que pode favorecer um trabalho de grupo por parte dos alunos. Cada qual tendo suas próprias motivações fortes, suas competências, alguns mais filósofos e apegados ao problema das origens, outros mais científicos, outros ainda mais cosmógrafos ou matemáticos, a Terra é um assunto em que todos podem se encontrar, em relação ao qual podem ser recriados sistemas cruzados que saem completamente da compartimentação a que estamos habituados.

Trecho da obra: A Religação dos Saberes: o desafio do século XXI/idealizadas e dirigidas por Edgar Morin; tradução de Flávia Nascimento. Bertrand Brasil, 2001.

É necessária uma educação cívica aos indivíduos da contemporaneidade. Não um civismo com resquício de militarismo, mas um civismo que tem conhecimento do seu país, que nutre o orgulho de ser brasileiro, de ser um país com tantas riquezas materiais, físicas,   sociais, filosóficas, biológicas e também econômicas, que contribuem para ampliar a visão de mundo, de pessoas e das coisas.

Civismo para saber quais são os deveres de cada sujeito atuante e participante da sociedade em que vive, bem mais do que a exigências dos direitos tão exigidos atualmente por nós, sujeitos pertencentes desta sociedade. Um civismo que faz sentirmos a poesia e o sentido de cada palavra expressada nos hinos do nosso país.

Infelizmente, o civismo, porque parecia ser uma exigência militar, foi sendo esquecido com o passar dos anos. Os militares o carregam com amor, e talvez, até um pouco de fanatismo (quem sabe, não se sabe…) fiquemos com o que é positivo.

Falar de civismo é falar de  atitudes e comportamentos que  os cidadãos manifestam no cotidiano em defesa ou no resgate de certos valores e práticas assumidas para fundamentar uma vida coletiva com o objetivo de preservar a harmonia e o bem-estar de todos.

O civismo consiste o respeito aos valores, às instituições e por que não às práticas políticas de um país, talvez seja por isto que algumas pessoas não veem o civismo como uma expressão da cidadania. Talvez, pela forte ligação política e filosófica que exista em nosso país ligada à época da ditadura.

Obter conhecimento sobre civismo e cidadania depende sempre de uma boa educação. E isto ocorre em todas as cidades onde as oportunidades de acesso ao saber se tornam mais simples ou quase que inexistentes. É lamentável quando um país precisa de cidadãos com consciência cívica e não se preocupa com isto.

E isto só é possível  quando se acredita na educação como um instrumento eficaz para a formação de uma sociedade reconhecida pela sua capacidade de compreender as causas nobres.

Mesmo que exista egoísmo de alguns grupos – que não podem ser dizer cidadãos – cerceando a ascensão de muitos, impedindo de oportunidades ao saber, sabemos que um ensino de boa qualidade além de promover o indivíduo enriquece a sua Pátria. Assim como a cidadania não é privilégio de quem vive nos grandes centros, é  de quem vem a liberdade com um meio – uma ponte -  para o “ir e vir”, pensando na paz e na concretização de uma vida social integrada, composta de todos que fazem parte de uma sociedade.

O ensino pode ser uma grande potência em um país quando este é acompanhado por bons exemplos e por indivíduos cidadãos e dotados de sentido de civismo que educam.

Apesar de serem conceitos muito subjetivos – civismo, cidadania e patriotismo – são valores que expressam os sentimentos que cada um constrói ao longo das suas vivências e convivências ao longo da vida. Diante disto, fica uma reflexão de que segundo o dicionário da língua portuguesa civismo é a devoção pelas coisas públicas, pelos interesses da nação, e está muito interligado aos conceitos de patriotismo, religião e moral, e está diretamente vinculado às pessoas,  é o cumprimentos dos seus deveres e direitos. Já o patriotismo é o extremo e natural amor que todo cidadão tem pela terra em que nasceu.

Então, sabemos que o civismo é um sentimento que precisa ser semeado a todo instante e que deve permear todos os atos de nossa vida como cidadãos, e a conhecer e cultivar o amor e o respeito pelos símbolos nacionais e principalmente pela bandeira nacional, pelo fato de serem a expressão da nossa nação, o significado do nosso país.

Assim, seria mais fácil compreender o respeito mútuo entre as pessoas por quaisquer que sejam as coisas que nos diferenciam uns dos outros.

Professora Leila.

*Geofisiologia: esboço para uma nova ciência da Terra

 por Pieter Westbroek

 (…) é óbvia a necessidade de rever a formação universitária em seu conjunto, (…) falta tempo para ensinar tudo o que deveria ser aprendido em cada especialidade, não tem consistência.  De fato, segundo a excelente fórmula de Marc Richelle: “Realmente falta tempo, o que, de qualquer forma, é uma ótima razão para empregar o tempo de outra forma e de uma forma que seja benéfica para todos.”

Trata-se de imperativos que dizem respeito a todos nós, enquanto pesquisadores, enquanto educadores, enquanto cidadãos e, de maneira ainda mais geral, enquanto seres humanos arrastados num salto evolutivo da humanidade, humanidade que, a um só tempo, é da biosfera e está nela, é da biodiversidade terrestre e está nela.

O risco é evidente: recusar os desafios é, para o cientista, perder toda legitimidade social. Recusar os desafios, é para o cidadão, esquivar-se do debate público. É esquivar-se de nossa responsabilidade em relação à conscientização do que deve ser a vida terrestre e sobre o que ela corre o risco de tornar-se para as gerações futuras e, em primeiríssimo lugar, para a geração cuja educação é nossa obrigação, aqui e agora. (…) compartilho plenamente desse pensamento de Vaclav Havel: “Nosso respeito pelo outro, por outro povo, por outra cultura, só pode nascer de um respeito pela ordem do universo e de nossa convicção de pertencer a essa ordem. Devemos tomar consciência da parte que temos nisso e da permanência de nossos atos que são inscritos e serão avaliados no âmbito da memória eterna da vida.” (…)

Trecho da obra: A Religação dos Saberes: o desafio do século XXI/idealizadas e dirigidas por Edgar Morin; tradução de Flávia Nascimento. Bertrand Brasil, 2001.

* A geofisiologia é uma nova ciência proposta por James Lovelock que estuda a vida a partir de uma pers­pectiva mais abrangente. A geofisiologia é “a ciência dos grandes sistemas vivos, como a Terra”, explica o cientista britânico. “Ela se ocupa da maneira como a Terra viva fun­ciona”. A geofisiologia ignora as divisões tradicionais entre as ciências da Terra, como geologia, por exemplo, e as da vida, como a biologia, que concebem a evolução das ro­chas e a da vida como duas áreas científicas separadas. Em lugar disso, a geofisiologia trata os dois processos como uma única ciência evolutiva que pode explicar detalhadamente a história do planeta.

JAMES LOVELOCK entende a terra como um sistema fisiológico único, uma entidade viva. e como todo ser vivo a terra seria capaz de auto-regular seus processos químicos e sua temperatura.

Fonte: Mundo em foco, ano 2, nº 2.

Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um comboio do metrô de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 8.000 vezes em 2011. Se fosse um comboio, eram precisas 7 viagens para que toda gente o visitasse.

Clique aqui para ver o relatório completo

Refletindo o ser humano…

HOMO SAPIENS-AMANS AMANS: O MODO DE CONVIVER QUE NOS DÁ ORIGEM

É desde a ampliação do olhar do amor que o Homo sapiens-amans amans pode ver os outros distintos. É o olhar amoroso, o olhar que surge no âmbito das condutas relacionais através das quais uma pessoa, o outro, a outra, tudo o mais, surge como legítimo outro em convivência com essa pessoa, o olhar que permite ver a própria circunstância e ampliar a reflexão e o entendimento. A partir do olhar da biologia do amar, o ver a própria circunstância permite escolher livremente se se quer permanecer nela ou se quer mudar. (…).

(…) O amar é a classe das condutas relacionais através da qual um alguém, a outra, o outro ou o tudo o mais surge como legítimo outro na convivência com esse alguém. O amar amplia o olhar, expande o ver e solta o apego à certeza porque implica aceitar a legitimidade da circunstância que se vive. É só depois de ver o que se vive que se pode querer ou não querer esse viver.  E é só depois de ver, sentir, escutar, cheirar meu querer que posso me perguntar: quero o querer que quero?, quero meu querer?, e é desde as respostas a estas interrogações que surge, sem notarmos a experiência de liberdade como uma experiência ao distinguir, a  partir de mim, meu escolher o querer que quero.

O amar como um acontecer biológico surge de maneira espontânea, sem esforço, é unidirecional, não pede nada em troca. No amar uma pessoa, o outro, a outra tem presença, vive-se o ser visto, e a queixa frente ao desamar é por não ter presença, por não ser visto, (…).

No amar nos achamos no bem-estar psíquico e corporal, o que nos produz alegria e harmonia no viver e conviver. (…)

Trechos da obra: Habitar Humano em seis de biologia-cultural, de Humberto Maturana Romesín e Ximena Dávila Yáñez;  tradução de Edson Araújo Cabral. Editora Palas Athenas, 2009.

 

Resiliência e Educação: Fortalecendo as Relações Professor-Aluno

banner simposio ok Clique aqui para ler o Trabalho apresentado no II SIMPÓSIO DE FAMÍLIA E DESENVOLVIMENTO HUMANO, promovido pela SOCIEDADE PARANAENSE DE PEDIATRIA, 5 e 6 de agosto de 2011, na Universidade Positivo.

Ser Resiliente, Estar Resiliente. Superando os Desafios Contemporâneos.

Oficina de Resiliência - Clique aqui para ter acesso ao esquema do conteúdo abordado durante a Oficina.

Trabalho realizado na 11.ª Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão da Faculdade Doutor Leocádio José Correia, para alunos dos cursos de Administração de Empresas, Pedagogia e Teologia Espírita em maio de 2011. Nesta instituição atuo como professora no curso de Pedagogia, na disciplina de Educação para a Diversidade, desde 2008. E pesquisadora do tema desde 2000.

Para Refletir…

“A natureza do conhecimento humano é inventiva e construtiva.

Nela as informações não são pré-fixadas, mas funcionam como pilares que geram transformações, a partir dessas transformações construímos o conhecimento.

Essa construção se dá a partir de observações do ambiente e das pessoas que estão ao seu redor.”

 

Monique Deheinzelin

 


Ecopedagogia

“Se não morre aquele que planta uma árvore 

e nem morre aquele que escreve um livro, 

com mais razões não deve morrer  o educador. 

Pois ele semeia nas almas e escreve nos espíritos”.   

Bertold Brecht

O elogio e a educação

 

Fico pensando sobre o elogio, e como uma educadora incomodada com o que nos deparamos, elogio! Elogio, por entender que na complexidade dacontemporaneidade se faz extremamente necessária uma ação positiva e incentivadora. Em meio a tanta desestrutura humana, valores efêmeros, as pessoas acabam se acostumando com o que existe de normal, banalizar a vida e as ações humanas.

Elogiar alguém desde o mais simples fato até o mais complexo, para mim, é uma questão de construir, de cooperar com a formação do edifício lógico e axiológico de um indivíduo, de mostrar a possibilidade de fazer a diferença diante de tantos desafios.

Elogiar é uma demonstração plena da existência da identidade, fazendo a relação com o outro, refletida na imagem e semelhança da Creatura e do Creador.

É levar o indivíduo a refletir que se ele conseguiu cumprir da melhor maneira com seus objetivos, fazendo, sendo, aprendendo e convivendo ao seu jeito único de ser, ele é capaz de ir além.

Elogiar, sem demagogia, é gratificante para quem pratica, tem sentido, faz significado na vida.


“Podemos nos defender de um ataque, mas somos indefesos a um elogio.” Sigmund Freud

A relação entre educação e sociedade

Para Refletir…
(…) Somos submetidos a uma educação que nos tornar seres passivos diante dos acontecimentos e submissos a qualquer um que se imponha e mostre poder sobre nós. Temos idéias e condutas uniformes, como nos fala Rubem Alves: “Educação é isto: o processo pelo qual os nossos corpos vão ficando iguais às palavras que nos ensinam. Eu não sou eu: eu sou as palavras que os outros plantaram em mim”.
Como disse Fernando Pessoa: ‘Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim’. Muitos são os responsáveis pelo que somos, muitos influenciam em nossas decisões, em nossos pensamentos e na forma de nos produzir como “homens”.
Somos o resultado do desejo de nossos pais, professores, líderes religiosos e políticos. Somos influenciados pelos meios de comunicação, o mais eficaz modo de se propagar idéias. (…)

WERRI, A. P. S. e RUIZ, A. R. Autonomia como objetivo da educação. In: Ano I – Nº 02 – Julho de 2001 – Bimensal – Maringá – PR – Brasil – ISSN 1519.6178

Ser resiliente, estar resiliente *

A RESILIÊNCIA


É no encontro e no significado do seu passado, fazendo a revisitação da verdade que o ser humano encontra forças, motivação para viver o seu presente e preparar o seu futuro, isto precisa ser uma busca contínua para se fazer à complementaridade e estar resiliente frente ao cotidiano.

Portanto, o homem tem que desempenhar papel decisivo, interando-se à sociedade, à nação, respeitando o conjunto ao qual faz parte, integrando a dimensão familiar, regional, étnica, nacional, religiosa, filosófica, científica, na diversidade construindo a complexidade que cada um é na sua plenitude humana.

A diversidade enriquece o enfrentamento das incertezas, trazendo possibilidades de administrá-las, pois o novo todos os dias e vislumbrado, mas não seria novo se pudesse ser previsto, este exercício leva o homem à evolução na desorganização e reorganização realizando o processo de transformação, tudo faz parte de tudo e tudo foi necessário para que se tomassem caminhos incertos sempre em busca da evolução das civilizações com criações e inovações, destruições e reconstruções. O momento é de mudanças, pois tudo está interligado, não está só em crise, mas em permanente estado de modificação que organiza e reorganiza o torno e o entorno do ser humano.

Portanto, ao educando, importa compreender a incerteza e saber aprender que há sempre algo possível, a ser levado em consideração, a complexidade, o aleatório, à iniciativa, o imprevisto, a consciência de que transformações ocorrem estar em prontidão para tomar atitudes efetivas.

Em um planeta atravessado por redes, fax, internet, celulares, a educação no precisa fazer comunicação verticalizada, mesmo com tantos avanços e com milhares de informações. Compreender é aprender em conjunto, onde o outro é percebido como sujeito que se identifica, num processo de empatia, de projeção, que pede abertura, simpatia, generosidade, participação, um ato de amor e de esperança.

Assim, indivíduos, sociedade e espécie não são apenas inseparáveis, mas pertencentes, co-produtores um do outro e um para o outro, e é ai que emerge a consciência e o espírito humano.

A constante busca da resiliência consiste em ampliar cada vez mais a visão e o desenvolvimento das capacidades e recursos para experimentar, experienciar, um conhecer ativo, repleto de energia e desafios, para que se busque incansavelmente o aperfeiçoamento e a autenticidade.

A formação do educador requer muito mais do que educação continuada, cursos, especializações, estudos, pesquisas, pois é preciso tornar o cotidiano do exercício mediúnico, uma nova oportunidade, a cada dia para fortalecer a autoconfiança, a alegria, a prontidão, o exercício do pensar, construindo uma estrutura resiliente, para se viver com qualidade em busca da transformação do pensamento, através da complexidade. Assim, pretende-se trazer com este trabalho o conceito de resiliência, por que e para quê este termo vem compor junto à prática e a formação de seres humanos mais preparados a enfrentar com criatividade, autonomia, confiança os desafios do cotidiano. Mais do que ser resiliente, o Planeta, a sociedade, um agenciador do social precisa estar resiliente, e para tanto, se faz necessário aprender, fazer, conviver, sentir e ser consciente da complexidade na educação do ser humano.

 

RESILIÊNCIA E COMPLEXIDADE

A pessoa “resiliente” é aquela que desenvolveu a capacidade de enfrentar as adversidades sem se desestruturar e manteve uma boa auto-estima. Como se fosse uma árvore flexível: os galhos se dobram num vendaval, mas não se quebram. A resiliência, embora seja uma característica inata em algumas pessoas, pode ser trabalhada no decorrer da vida.

Para isto, é preciso aprender a integrar pensamento, sentimento e ação. Desta forma, pessoas, famílias, equipes de trabalho ou comunidades conseguem encontrar recursos para melhorar a situação em que se encontram, tomando iniciativas para promover mudanças com determinação e compromisso. Tanto no contexto familiar quanto no ambiente de trabalho é possível contribuir para que as pessoas desenvolvam resiliência e criatividade para transformar os desafios em oportunidades de crescimento.

A qualidade do relacionamento interpessoal é a base fundamental deste trabalho de desenvolvimento da resiliência: a ampliação da sensibilidade da escuta para “ouvir e ler nas entrelinhas”, estar atenta e motivada faz com que as pessoas se sintam mais entendidas e aceitas. Pela motivação, se expressa o reconhecimento e o estímulo para que as pessoas desenvolvam suas “áreas de competência” que fortalecem o indivíduo; isto cria um clima de entusiasmo, aumenta a criatividade e a produtividade, estimula a cooperação. A “crítica construtiva”, que consiste em atacar os problemas sem atacar as pessoas, facilita a atitude de efetuar as correções necessárias sem criar ressentimentos e sem prejudicar a auto-estima. Estes e outros recursos de comunicação aprofundam e enriquecem o diálogo, contribuindo para criar um clima de harmonia, respeito, consideração e bem-estar, nas multidimensões do conhecimento no ser humano.

Para MORIN (2001) nova consciência começa a surgir: o homem confrontando de todos os lados às incertezas é levado em nova aventura. É preciso aprender a enfrentar a incerteza, já que se vive um momento em que tudo está ligado, interconectado. Portanto a educação precisa se voltar para as incertezas ligadas ao conhecimento. E é a partir da complexidade que a necessidade das relações das partes se integralizam ao todo e se expressam nos múltiplos aspectos influentes no processo do pensar.

O pensamento não é estático, ele indica movimento; é no ir, vir, permanecer, ficar que se permite a criação e com esta a elaboração do conhecimento. Justificando assim o rompimento do sujeito com um pensamento linear e reducionista em busca de um pensamento complexo num processo de construção contínuo e efetivo, onde os envolvidos queiram construir cultivar e aprender, dia a dia.

Segundo CRUZ (2004, p. 130), auto-atualização permanente é “o exercício contínuo de leitura plena que o homem faz de si mesmo, dos outros, da cultura, do mundo, da vida, que promove crescimento pessoal, levado por motivação própria e pela incessante curiosidade acerca do Cosmo”.

O educando percebendo as novas exigências do mundo que vive precisa estar permanentemente em auto-atualização, conseqüentemente, motivar-se-á para fazer auto-extensão que segundo CRUZ (2004, p. 131), é “aplicação de seu próprio conhecimento; capacidade de produzir o que se conhece; realização”. Assim, está sensibilizado a incluir em suas ações pedagógicas o currículo oculto, que segundo CRUZ (2004, p. 135), é:

 

“(…) um conceito usado para descrever as coisas muitas vezes não expressas e não reconhecidas que se ensinam a estudantes nas escolas. Difere do currículo divulgado, que define o que se espera que eles estudem e aprendam. Por extensão, pode ser aplicado a qualquer situação de ensino. Conceito importante, pois permite focalizar as conseqüências não previstas de sistemas sociais“.

 

O currículo oculto é conceito fundamental que se integra ao conjunto de instrumentos e instruções que o educador fará uso no desenvolvimento e composição da gestão de conhecimentos, agregado à resiliência e à complexidade. Porque é a partir do processo organizador de autoconhecimento que o indivíduo-sujeito encontra a possibilidade de se transformar, construindo sua identidade e aprendendo sempre, e colocando o seu aprendizado em função do seu meio ambiente.

Assim, percebe-se que o conhecimento está naturalmente ligado à vida, a ação de conhecer está presente simultaneamente nas ações biológica, cerebrais, espirituais, culturais, lingüísticas, sociais políticas e históricas. Então a capacidade de aprender também está intimamente ligada ao desenvolvimento das competências do indivíduo em adquirir conhecimentos. Todo o conhecimento abrange características individuais, existenciais e subjetivas, além das objetivas direcionadas pela razão, em se tratando de experiência e ação humanas, não é possível dissociá-las da emoção.

Para MORIN (1999), no aprender é preciso considerar os aspectos paixão, dor e prazer no ato do conhecimento. E em nome do infinito desejo de conhecimento e no prazer imperativo da verdade, Morin alerta para que não se percam as preocupações com a ética, consigo mesmo e com o outro.

Assim, sabe-se que os sujeitos são responsáveis por sua transformação e do meio ao qual estão inseridos. Portanto, instituição educacional, docentes e discentes, enquanto agência estruturada, organizada e do saber, tem que ter em vista que a construção passa primeiramente por seus membros, sujeitos desse processo e do processo de conhecimento que se desenvolve.

É nesse sentido que este trabalho pretende incentivar a reflexão da educação do ser humano, pautada na consciência da complexidade presente em toda a realidade. Como no desenvolvimento de ser e estar resiliente frente aos desafios cotidianos, portanto, é fundamental que o educandos compreenda a teia de relações existente entre todas as coisas, as pessoas e o mundo, para que possa pensar a ciência uma e múltipla.

A escola enquanto agência do saber, precisar transmitir um espaço onde todos aprendem juntos; atividades interessantes que estimule aprender o que já sabe e a aprender ainda mais; propiciar sempre situações em que os indivíduos possam pensar que todos têm condições de participar com o seu alcance possível; buscar informações trazidas por todos, fazendo a significação da sua história de vida, que motive a produção, a descoberta, a reflexão, o enfrentamento e que esteja em um contexto sócio, político e cultural. Este espaço por si só alimenta e faz a retro-alimentação do conhecimento quando enriquece e transforma e quando recebe – trabalha – processa – internaliza – produz – faz intervenção de novos momentos, fazendo a superação de conhecimentos, assim todos começam a “mexer” com o espaço de vida tem um sentido. A escola pode traduzir um espaço onde o ator é portador da cultura e está ora no palco, ora na platéia, todos são aprendizes.

 

Prof.ª Leila e a Euler, umas das participantes com o resultado de sua produção na dinâmica.

Dinâmica de Grupo

Tema: “ser resiliente, estar resiliente”

Somos feitos de tentativas. Desde que levantamos da cama, desde que nascemos empreendemos uma sucessão de experimentos. Nossa interação com o mundo circundante é construída por meio dessas experiências. Estamos sempre buscando ao nosso derredor os indivíduos, mais próximos, com afinidades, os quais não conhecem e assim por diante, a fim de através da diversidade, das inter-relações somar, trocar, aprender, conhecer.

E assim, nesse processo contínuo da vida, escolhemos os rumos dos acontecimentos. E como estamos em permanente mutabilidade é preciso sublinhar, se estabelecer, como somos no exercício do vir-a-ser, tentando, buscando pra ser.

As aprendizagens nos fortalecem, individualmente ou em grupo, continuará em movimento, a vida, as pessoas, as coisas, o universo.

OBJETIVO:

- promover através deste exercício a revisitação em sua história de vida, socializar suas experiências para nesta relação com o outro perceber que o ser humano é uma obra em permanente construção.

MATERIAIS:

Cd com música, aparelho de som.

Folhas de palel A-4.

Tesouras, colas, durex, fita crepe, tiras de papéis diversos, fios de lã coloridas, fitas diversas, etc….

VARIAÇÕES:

  • trabalhar outros temas afins, como projeto de vida, responsabilidade social, etc…
  • utilizar outros tipos de materiais, por exemplo, reciclados que trabalham com a questão da capacidade do ser humano em re-construir e fortalece a auto-estima, conseqüentemente ser resiliente, quando o indivíduo avalia que tem capacidade pra transformar.

PONTOS TRABALHADOS: construção da auto-estima, autoconhecimento, aprimorar habilidades e competências.

DESAFIO: construir um chapéu com os materiais disponíveis que traduza você, usá-lo ao contar uma passagem da sua vida (em forma de prosa, verso, poema, como o paticipante escolher).

1.° passo – diálogo sobre o que é Resiliência

2.° passo – construção dos chapéus para contar a história, se apresentar (contos, frases, poesia, etc…) com materiais diversos

3.° passo – apresentação de cada participante

4.° passo – levantar os pontos importantes do SER RESILIENTE e do ESTAR RESILIENTE

5.° passo – avaliação/ “feedback”

 

 

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, C. O poder de suportar a pressão e de transformar problemas em desafios se torna uma exigência nas empresas – e requisito de sucesso para os novos executivos. Newsletter AMANHÃ, EDIÇÃO janeiro, fevereiro/2004. http://amanha.terra.com.br/edicoes/195/capa01.asp acessado em 05/12/2005.

COUTU, D. O poder de suportar a pressão e de transformar problemas em desafios se torna uma exigência nas empresas – e requisito de sucesso para os novos executivos. Newsletter AMANHÃ, EDIÇÃO janeiro, fevereiro/2004. http://amanha.terra.com.br/edicoes/195/capa01.asp acessado em 05/12/2005.

CRUZ, M. R. Cadernos de psicofonias de 1995; Doutrina Social Espírita/pelo espírito Antonio Grimm [psicofonado por] Maury Rodrigues da Cruz – Curitiba, SBEE, 2003.

_______. Cadernos de psicofonias de 1999; Doutrina Social Espírita/pelo espírito Antonio Grimm [psicofonado por] Maury Rodrigues da Cruz – Curitiba, SBEE, 2000.

_______. Cadernos de psicofonias de 1997; Doutrina Social Espírita/pelo espírito Antonio Grimm [psicofonado por] Maury Rodrigues da Cruz – Curitiba, SBEE, 1999.

_______. Cadernos de psicofonias de 1994; Doutrina Social Espírita/pelo espírito Antonio Grimm [psicofonado por] Maury Rodrigues da Cruz – 2.ª ed. Curitiba, SBEE, 2004.

_______. Espiritismo e Exercício Mediúnico, pelo espírito Marina Fidélis [psicografado por] Maury Rodrigues da Cruz – Curitiba, SBEE, 1993.

DELORS, J. Educação: um tesouro a descobrir. – 4.ª ed. – São Paulo: Cortez: Brasília/DF:MEC: UNESCO, 2000.  “Relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre educação para o século XXI”.

GARDNER, H. (1995). Inteligências múltiplas. A teoria da prática. Editora Artes Médicas Sul LTDA. Porto Alegre/RS

HAMEL, G. Todos podem ser resilientes, maio, junho/2005. www.intermanagers.com.br/pdf/074-Hamel.pdf acessado em 02/12/2005.

LISBOA, S. O poder de suportar a pressão e de transformar problemas em desafios se torna uma exigência nas empresas – e requisito de sucesso para os novos executivos. Newsletter AMANHÃ, EDIÇÃO janeiro, fevereiro/2004. http://amanha.terra.com.br/edicoes/195/capa01.asp acessado em 05/12/2005.

MASETTO, M. T. Aulas Vivas. – São Paulo: MG Editores Associados, 1992.

MATURANA, H. R. A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. – São Paulo: Palas Athena, 2001.

MORIN, E. O pensar complexo: Edgar Morin e a crise da modernidade – Rio de Janeiro: Garamond, 1999.

_______. Os sete saberes necessários à educação do futuro.- 3. ed. – São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2001.

PERRENOUD, P., PAQUAY, L., ALTET, M. e CHARLIER, E. Formando professores profissionais – quais estratégias? quais competências? trad. Fátima Murad e Eunice Gruman. – 2. ed. rev. – Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.

PASCALE, R. O poder de suportar a pressão e de transformar problemas em desafios se torna uma exigência nas empresas – e requisito de sucesso para os novos executivos. Newsletter AMANHÃ, EDIÇÃO janeiro, fevereiro/2004. http://amanha.terra.com.br/edicoes/195/capa01.asp acessado em 05/12/2005.

PETRAGLIA, I. C. Edgar Morin – a complexidade do ser e do saber. – (Coleção Educação e Conhecimento). 6.ª ed. – Editora Vozes: Petrópolis/RJ, 1995.

PIMENTA, S. G. e ANASTASIOU, L. G. C. Docência no ensino superior. – (Coleção Docência em Formação). – São Paulo: Cortez, 2002.

RUEGG, F. (1997). Valorizar as potencialidades da criança. A resiliência, conceitos e perspectivas. Cad. de Educ. Infantil, 42, p 9-14.

TAVARES, J. (org.) Resiliência e Educação – São Paulo: Cortez, 2001.

SZYMANSKI e YUNES, TAVARES, J. (org.) Resiliência e Educação – São Paulo: Cortez, 2001.

Este conteúdo foi desenvolvido a partir do Trabalho de Conclusão de Curso de Pedagogia da Faculdade Doutor Leocádio José Correia – “A CONSTRUÇÃO DA ESTRUTURA RESILIENTE NA FORMAÇÃO DO INDIVÍDUO NA CRECHE – 0 A 3 ANOS”, apresentado em 2004 e Monografia do Curso de Pós Graduação Lato Sensu em Formação Pedagógica do Docente de Nível Superior – “RESILIÊNCIA E COMPLEXIDADE NA FORMAÇÃO DO DOCENTE DE NÍVEL SUPERIOR”, apresentado em 2006. E de pesquisa bibliográgica sobre o tema realizada desde de 2000.


* Sanches, Leila R. – pedagoga, licenciada pela Faculdade Doutor Leocádio José Correia, com especialização Lato Sensu em Formação Pedagógica do Docente de Nível Superior, pela Faculdade Doutor Leocádio José Correia. Professora-pedagoga QPM do Estado do Paraná, professora do curso de Pedagogia da Faculdade Doutor Leocádio José Correia – FALEC, desde 2008, professora nos cursos de extensão à distância da UNINTER.

Refletindo sobre a educação…

“(…) o crescimento pessoal é o processo pelo qual o ser humano torna sua a cultura do grupo social ao qual pertence [processo de apropriação cultural], de tal forma que, neste processo, o desenvolvimento da competência cognitiva está fortemente vinculado ao tipo de aprendizagem específicas e, em geral, ao tipo de prática dominante”.

Cesar Coll

 

Os números de 2010

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Este blog é fantástico!.

Números apetitosos

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Um duende das estatísticas pintou esta imagem abstracta, com base nos seus dados.

Um Boeing 747-400 transporta 416 passageiros. Este blog foi visitado cerca de 3,500 vezes em 2010. Ou seja, cerca de 8 747s cheios.

 

In 2010, there were 3 new posts, growing the total archive of this blog to 16 posts.

The busiest day of the year was 25 de novembro with 52 views. The most popular post that day was A escola como espaço de transformações individuais e sociais.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram search.conduit.com, arteterapiacreatividad.blogspot.com, google.com.br, search.babylon.com e mail.live.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por conceito de droga, escola um espaço em transformação, a função social da escola num mundo em intensa transformação, escola: um espaço em transformação e função social da escola

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

A escola como espaço de transformações individuais e sociais setembro, 2009
2 comentários

2

Qual o conceito de droga? setembro, 2009
1 comentário

3

A função social da escola dezembro, 2008

4

Que imagem você tem do adolescente? Drogas, família, escola e sociedade.* agosto, 2009

5

A Escola Enquanto Espaço de Incentivo e Valorização de Práticas Pedagógicas Diferenciadas junho, 2009

Refletindo a Educação…

“Minha escola: uma alegria que brota de um encontro com as obras de arte, desde os grandes poemas de amor até as realizações científicas e técnicas, de uma tensão em direção aos mais realizados sucessos humanos, de uma participação, de um certo modo de participação nos movimentos organizados pelo que os homens se esforçaram para progredir em seus estilos de vida. Gostar de um texto, compreender como funciona um motor, apreender o que é capitalismo, o socialismo, o Terceiro Mundo… começar pelo menos a apreendê-lo, na aproximação, mas também as sementes da realidade que cada idade e cada aquisição anterior permitem; agir a partir dessas aquisições fortificando-as pela ação, enraizando-as na ação. Alunos que vivem no nível dos ideais, dos valores. Ousar proclamar a escola, o que eu ousaria chamar, às vezes, de “minha” escola, como lugar de satisfação, a escola partindo para a conquista da satisfação”.

SNYDERS (1988)

 

Para Refletir…

“Se não morre aquele que planta uma árvore
e nem morre aquele que escreve um livro,
com mais razões não deve morrer o educador.
Pois ele semeia nas almas
e escreve nos espíritos”.

 

Bertold Brecht

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